Povo
Hashoo Foundation - Flickr, CC BY-SA 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os Khattak são uma das grandes tribos pashtuns, concentrada nas terras altas e nos vales entre os rios do que hoje é a província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa, com famílias também na Índia. A cidade de Akora Khattak, no distrito de Nowshera, guarda a memória de um povo que por séculos ocupou uma faixa de território ao longo do Indo.
Pertencem à linhagem karlani dos pashtuns e carregam uma identidade marcada tanto pela bravura guerreira quanto pela riqueza literária: foi entre os Khattak que nasceu Khushal Khan Khattak, guerreiro e poeta do século XVII, uma das vozes mais influentes da língua pashto. Essa combinação de honra tribal e refinamento cultural ainda molda o modo como o povo se vê e se apresenta ao mundo.
Hoje os Khattak seguem ligados à terra de seus ancestrais, à língua pashto e a um código de conduta que atravessa gerações, mesmo quando a vida moderna os leva para cidades maiores ou para fora da região de origem.
A tribo tem suas raízes entre os antigos povos pashtuns do noroeste do que hoje é o Paquistão, fixando-se ao longo do tempo na região entre Peshawar e Kohat. Foi um ancestral de nome Akor que deu origem ao povoado que se tornaria Akora Khattak, no distrito de Nowshera, um dos centros mais associados ao nome da tribo.
Por gerações, chefes khattak serviram como oficiais do Império Mogol, até que, no século XVII, Khushal Khan Khattak, então chefe da tribo, rompeu com essa aliança e passou a incitar as tribos afegãs à resistência contra o imperador Aurangzeb. Ao mesmo tempo, compôs centenas de obras em pashto e persa sobre justiça, coragem e o código de vida pashtun. Sua figura permanece como símbolo da identidade khattak até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
97,6%
|
1.254.000 |
Índia Não alcançado
|
2,4%
|
31.000 |
A vida khattak ainda gira em torno da terra e do clã: famílias cultivam e criam animais nos vales e planaltos de Khyber Pakhtunkhwa, e a pertença tribal organiza tanto a vida cotidiana quanto a resolução de conflitos. O jirga, conselho de homens mais velhos, segue sendo o espaço onde disputas são julgadas e decisões importantes são tomadas.
A hospitalidade ao visitante e a defesa da honra da família continuam entre os valores mais prezados, herdados do código pashtunwali. Mesmo os que hoje vivem em cidades maiores, no Paquistão ou na Índia, carregam consigo esse senso de dever para com o clã e a palavra empenhada.
Os Khattak são quase inteiramente muçulmanos sunitas, e a fé islâmica está profundamente entrelaçada com a identidade tribal: ser khattak é, na prática, ser muçulmano. A prática religiosa convive com o pashtunwali, o código de honra que rege hospitalidade, justiça e proteção da família, e que muitos veem como parte inseparável da própria fé, quase como se um não pudesse existir sem o outro.
Essa fusão entre religião e pertencimento étnico faz da conversão a outra fé uma questão que ultrapassa o campo pessoal: envolve a honra do clã inteiro, e por isso é vivida com grande peso social, capaz de afetar toda uma família diante da comunidade.
Os Khattak falam pashto, língua para a qual já existe uma Bíblia completa, além do Filme Jesus e de gravações em áudio das Escrituras. Ainda assim, ter o texto disponível é bem diferente de ele circular de fato entre famílias khattak, para quem a Escritura permanece, na prática, distante do dia a dia, quase ausente das conversas e da vida de fé cotidiana.
Entre os Khattak, a fé islâmica é parte constitutiva da identidade tribal, de modo que abandoná-la é percebido como romper com a própria família e com a honra do clã. O código pashtunwali, que valoriza a lealdade ao grupo e a resposta a qualquer ofensa à honra, reforça essa pressão social contra quem se afasta da religião da comunidade, tornando raro qualquer contato aberto com outra fé.
Como em tantas comunidades pashtuns, o cotidiano khattak enfrenta desafios ligados à economia rural das regiões montanhosas e à distância de centros urbanos maiores, o que limita acesso a serviços e oportunidades. Há também uma carência espiritual pouco visível: praticamente não existe comunidade cristã local, o que significa que qualquer khattak que viesse a crer em Jesus encontraria poucos ou nenhum irmão na fé por perto, num contexto onde pertencimento familiar e tribal é tudo e caminhar sozinho na fé tem um custo alto.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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