Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os lohanis são um dos ramos da grande família pashtun, estabelecido no sul da região de Khyber Pakhtunkhwa, no Paquistão, perto da fronteira com o Afeganistão, com presença também no Baluchistão. Descendem da confederação lodi, um dos grandes troncos pashtun, e carregam um nome que atravessa séculos de história entre a Ásia Central e o subcontinente indiano.
Como todo pashtun, sua identidade se apoia em quatro pilares: a descendência de um ancestral comum, a fé islâmica, o código de honra conhecido como pashtunwali e a língua pashto. Entre os lohanis, esses valores permanecem centrais mesmo depois de o povo ter deixado, em boa parte, o antigo modo de vida itinerante para se fixar em vilarejos e cidades da fronteira.
São reconhecidos entre os pashtuns por seu passado de caravaneiros, uma vocação que moldou a maneira como o povo se organiza, se desloca e se relaciona até hoje.
As raízes dos lohanis remontam à região de Ghor, no atual Afeganistão, de onde desceram para Ghazni e viveram por séculos como pastores. Ali se tornaram conhecidos como caravaneiros, atravessando o desfiladeiro de Gomal entre o verão nas terras altas e o inverno nas planícies do Damã, comerciando entre a Ásia Central e o subcontinente indiano.
Durante a era do sultanato de Lodi, levas de lohanis migraram para dentro da Índia, chegando até Bihar, onde uma inscrição do fim do século XV registra a atuação de um de seus líderes. Com o tempo, o povo se fixou nas terras que hoje ocupa no noroeste do Paquistão, ao pé das montanhas que atravessava como comerciante.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
100%
|
140.000 |
Boa parte dos lohanis vive hoje da agricultura, embora o povo esteja presente também em ofícios urbanos, do comércio ao funcionalismo. A antiga vida de caravaneiro, marcada pelo deslocamento sazonal entre pastagens de verão e planícies de inverno, deu lugar a uma existência mais fixa, mas a memória dessa mobilidade ainda molda a identidade do grupo.
A organização social gira em torno do clã e da tribo, cujo peso costuma superar até mesmo a lealdade ao próprio país. O pashtunwali rege as relações: hospitalidade ao hóspede, defesa da honra da família e resolução de disputas pelos próprios anciãos, sem depender de instituições externas.
Os lohanis são muçulmanos sunitas, como praticamente todos os pashtuns. A fé islâmica está entrelaçada ao próprio código de honra do pashtunwali, de modo que ser pashtun e ser muçulmano se tornaram, na prática, quase a mesma coisa. A prática religiosa se mistura a costumes tribais antigos, transmitidos de geração em geração junto com as histórias do clã.
Essa fusão entre religião e identidade tribal faz do islã não apenas uma crença pessoal, mas o cimento que sustenta a coesão do clã e a lealdade entre parentes, vizinhos e aliados. Questionar a fé é, para um lohani, questionar o próprio lugar dentro da família e da comunidade que o cerca desde o nascimento.
Em pashto, a língua do coração dos lohanis, já existem porções bíblicas e o Novo Testamento, mas a Bíblia completa ainda não foi concluída. Há também gravações em áudio e conteúdo em vídeo na língua, recursos importantes numa cultura em que a palavra falada e a poesia oral pesam mais do que o texto escrito, e em que o acesso a materiais impressos ainda é limitado fora dos grandes centros.
Entre os lohanis, ser pashtun é, na prática, ser muçulmano: abandonar o islã é lido como traição não apenas à fé, mas ao clã e à honra da família, com consequências sociais severas. A proximidade com a fronteira afegã, marcada por décadas de instabilidade e pela presença de grupos armados, isola ainda mais o povo de qualquer contato com um testemunho cristão, tornando raro que um lohani já tenha ouvido falar de Jesus por alguém de sua própria cultura.
A região onde vivem os lohanis carrega os efeitos de décadas de conflito e instabilidade na fronteira com o Afeganistão, o que compromete o acesso à educação, à saúde e a oportunidades de trabalho fora da agricultura de subsistência. Famílias inteiras convivem com a incerteza de tempos difíceis, sem muitas alternativas de renda quando a colheita falha ou a violência se aproxima.
Falta também ao povo qualquer comunidade cristã local, alguém que fale sua língua e entenda seus costumes para caminhar ao lado de quem se aproximar de Jesus. Sem essa presença, o caminho até a fé permanece solitário para qualquer lohani que se interesse pelo evangelho.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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