Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os pashtun shirani são um povo pastum do Paquistão, ligado à confederação tribal sarbani, que vive na cordilheira de Suleiman, entre o distrito de Sherani, na província do Baluchistão, e o distrito de Dera Ismail Khan, em Khyber Pakhtunkhwa. Uma parte do povo também habita províncias vizinhas do Afeganistão, do outro lado da fronteira cultural que une os pastuns.
Sua identidade se apoia em uma genealogia tribal precisa, transmitida de geração em geração, no código de honra pashtunwali que rege quase todos os aspectos da vida, e no vínculo com o Takht-e-Sulaiman, o “Trono de Salomão”, montanha sagrada que domina a paisagem onde vivem há séculos.
Divididos entre planície e montanha, moldaram um modo de vida que atravessa gerações sem perder a coesão do grupo: cada família sabe a que clã pertence e qual é o seu lugar dentro da tribo, uma estrutura que ainda hoje organiza a convivência, a terra e a resolução de conflitos.
A origem dos shirani é contada por meio de uma genealogia que remonta a um ancestral comum, de quem descendem os principais clãs da tribo. Estudiosos britânicos do período colonial chegaram a levantar a hipótese de que o povo teria raízes indianas mais antigas, anteriores à sua incorporação ao mundo pastum e islâmico, embora essa origem já esteja distante da memória viva do grupo.
No século dezenove, os shirani resistiram ao avanço britânico na fronteira noroeste da Índia, e a memória dessa resistência, incluindo a de líderes locais mortos em combate, ainda hoje faz parte da narrativa que o povo conta sobre si mesmo.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
100%
|
148.000 |
A cordilheira de Suleiman divide o território shirani em duas faixas de vida bem distintas: nas terras baixas, a existência gira em torno da agricultura; nas encostas mais altas, junto ao Takht-e-Sulaiman, famílias inteiras seguem um ritmo pastoril, levando rebanhos de cabras e ovelhas para os pastos de verão e descendo com eles antes do inverno.
O pashtunwali organiza essa vida em sociedade: a hospitalidade ao visitante, a defesa da honra da família e do clã, e a resolução de disputas por meio de conselhos de anciãos são valores mais fortes do que qualquer fronteira administrativa traçada sobre o mapa.
São muçulmanos sunitas da escola hanafi, como a grande maioria dos pastuns, e para os shirani a fé islâmica está entrelaçada com a própria identidade tribal: pertencer ao clã e seguir o islã são, na prática, a mesma coisa, reforçadas pelo código de honra que rege a vida cotidiana e as relações entre famílias e vizinhos.
A montanha Takht-e-Sulaiman ocupa lugar central nessa fé vivida: a tradição local associa o pico ao rei Salomão e à arca de Noé, e o local é tratado como espaço sagrado, alvo de peregrinação e respeito, um islã popular tecido com lendas e memórias da própria terra em que vivem, ao lado da prática religiosa mais ortodoxa transmitida pelas mesquitas da região.
Os shirani falam uma variedade do pastó, língua que já conta com Novo Testamento e porções bíblicas publicadas, havendo, portanto, mais de duzentos anos de esforços de tradução voltados a esse idioma. Ainda assim, para a maioria dos shirani essas Escrituras seguem praticamente desconhecidas: o acesso é limitado pelo isolamento geográfico, pela oralidade da cultura tribal e pela distância entre a língua escrita e o dia a dia das aldeias e acampamentos de pastores.
Entre os shirani, ser pastum, seguir o islã e viver segundo o pashtunwali formam um único pacote de identidade: abandonar a fé é interpretado como trair o clã e a própria linhagem, o que expõe qualquer conversão a forte pressão social e familiar. O isolamento das aldeias de montanha e a ausência de qualquer comunidade cristã local tornam raro até mesmo um primeiro contato com a mensagem de Jesus.
A vida dividida entre planície pobre e montanha árida deixa pouca margem para os imprevistos: falta de infraestrutura, dependência do clima para a colheita e para os pastos, e acesso limitado à educação marcam o cotidiano de muitas famílias shirani.
No campo espiritual, depois de gerações de contato com testemunhos isolados de fé cristã, ainda falta ao povo algo mais decisivo: uma comunidade de discípulos de Jesus nascida dentro da própria cultura shirani, que fale sua língua e habite sua montanha.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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