Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os pasis são um povo do norte da Índia, concentrado sobretudo na região de Awadh, em Uttar Pradesh, e também presente em Bihar e em pequenas comunidades além das fronteiras indianas. Tradicionalmente ligados à extração de toddy, a bebida fermentada da seiva das palmeiras, construíram ao longo dos séculos uma identidade própria, marcada por forte senso de pertencimento coletivo e por divisões internas em subgrupos como os gujjar, os kaithwas e os boria.
Reconhecidos oficialmente como casta programada em boa parte do território onde vivem, os pasis carregam a experiência histórica de estarem entre os grupos sociais mais marginalizados da hierarquia social indiana. Apesar disso, mantêm viva uma narrativa própria de origem que os liga a uma linhagem nobre, sinal de como a memória e a dignidade do povo resistem mesmo sob séculos de exclusão.
A origem dos pasis remonta a comunidades associadas ao ofício de extrair seiva de palmeiras no norte da Índia, ocupação que teria dado nome ao próprio povo, derivado de um termo sânscrito para o nó usado nessa colheita. Com o tempo, a atividade de criação de porcos também se tornou comum entre famílias pasis em Uttar Pradesh e Bihar.
A tradição oral do povo, porém, conta outra história: a de que descenderiam do suor de Parshuram, uma das encarnações de Vishnu, ligação que buscam reivindicar um status social mais elevado do que aquele que a sociedade de castas historicamente lhes atribuiu. Essa disputa entre origem social e origem sagrada segue viva na forma como os pasis se contam a si mesmos até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
99,9%
|
8.192.000 |
Bangladesh Não alcançado
|
0,1%
|
6.800 |
A vida da maioria dos pasis ainda gira em torno do trabalho rural e de ofícios historicamente ligados à comunidade, embora as gerações mais jovens busquem cada vez mais educação formal e empregos fora do campo. A identidade de casta continua a moldar relações sociais, casamentos e oportunidades de vida, especialmente nas áreas rurais de Uttar Pradesh e Bihar, onde a maior parte do povo vive.
A organização em subgrupos como os gujjar, os kaithwas e os boria ainda orienta alianças familiares e a vida comunitária. O sentido de pertencimento ao próprio grupo é forte, cultivado em festas, casamentos e rituais que reafirmam a identidade pasi em meio à sociedade indiana mais ampla.
Os pasis seguem majoritariamente formas populares do hinduísmo, com devoção a divindades regionais e ancestrais somada ao culto aos deuses do panteão hindu maior. A crença de que descendem do suor de Parshuram, avatar de Vishnu, não é apenas uma lenda de origem: funciona como afirmação de dignidade espiritual diante de uma posição social historicamente rebaixada.
A fé se expressa em rituais domésticos, festivais sazonais e na veneração de divindades protetoras da aldeia e da família. Como em muitas comunidades da hierarquia de castas indiana, a religiosidade pasi está profundamente entrelaçada com a identidade social do grupo, e não apenas com práticas de templo.
A grande maioria dos pasis vive na Índia e fala hindi, língua na qual a Bíblia está disponível na íntegra há gerações. Ainda assim, o acesso ao texto não significa contato real com ele: para uma comunidade historicamente distante das estruturas religiosas dominantes, a Escritura raramente circula em espaços pasis, e quase não há quem a leve até eles em sua própria experiência de vida e de casta.
Entre os pasis, a fé cristã ainda é praticamente desconhecida. A identidade do povo está profundamente ligada ao hinduísmo popular e à posição que ocupam na hierarquia social indiana, de modo que qualquer mudança de religião é vista como ruptura com a família e com a comunidade. A isso se soma o legado de marginalização social, que limita o acesso a educação, redes de relacionamento mais amplas e espaços onde o evangelho poderia naturalmente chegar até eles.
Como muitas comunidades historicamente colocadas nas margens da sociedade indiana, os pasis enfrentam necessidades ligadas à educação, à mobilidade social e ao acesso equitativo a oportunidades econômicas. A superação do estigma de casta continua sendo um desafio real na vida cotidiana de famílias pasis, especialmente nas áreas rurais.
No campo espiritual, a necessidade é igualmente concreta: praticamente não há entre os pasis quem já tenha ouvido o evangelho de alguém da própria comunidade, nem comunidades cristãs locais que falem a língua de sua experiência social e cultural.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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