Povo
Jerome Delay, CC BY-NC-SA 4.0, via Joshua Project
Os rahanweyn, também chamados digil e mirifle, formam uma das grandes famílias de clãs da Somália. Vivem sobretudo no interior fértil entre os vales dos rios Jubba e Shebelle, em regiões como Bay, Bakool e o Baixo Shebelle, e têm presença expressiva em outras partes do sul do país, inclusive na capital, Mogadíscio.
O que os distingue dentro do mundo somali é a língua: falam o maay, também conhecido como af-maay, uma variedade que os linguistas tratam como própria e que se concentra entre os rahanweyn. Ela marca a identidade do grupo no dia a dia, nos mercados, nas aldeias e nas conversas de família.
Enquanto muitos somalis são lembrados como pastores nômades, grande parte dos rahanweyn tem raízes na terra: cultiva a lavoura, cria animais e organiza a vida em comunidades estabelecidas. Esse modo de viver, ligado ao campo e ao clã, dá ao povo um jeito próprio de se ver e de ser visto pelos vizinhos.
Como os demais clãs somalis, os rahanweyn se entendem como parte de uma longa genealogia compartilhada, e a tradição organiza seus muitos subclãs em duas grandes linhagens, digil e mirifle. Cada família costuma guardar com cuidado a sua versão dessa árvore. Ao longo dos séculos, a região entre os dois rios foi o território onde esse povo se estabeleceu e cultivou a terra.
O marco mais doloroso da história recente veio no início da década de 1990, quando a guerra civil atingiu duramente Bay e Bakool. Fome e violência levaram à morte centenas de milhares de pessoas. Desde o fim daquela década, clãs rahanweyn passaram a ter maior controle sobre a própria região, o que marca uma nova fase na vida do povo.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Somália Não alcançado
|
100%
|
2.493.000 |
A vida rahanweyn gira em torno da terra e do clã. Muitas famílias combinam lavoura e criação de animais, e o ritmo do ano segue as estações das chuvas, que decidem o plantio, a colheita e a fartura da mesa. É nas aldeias e nas fazendas que se aprende cedo o valor do trabalho compartilhado.
O clã é a rede de proteção e de pertencimento: define alianças, ajuda a resolver conflitos e sustenta quem passa por necessidade. A hospitalidade é virtude estimada, e receber um visitante com chá e comida é gesto de honra para a casa. A língua maay, falada em casa e nas conversas entre vizinhos, mantém viva a memória do povo e o orgulho de ser diferente dentro da Somália.
Os rahanweyn são, em sua quase totalidade, muçulmanos sunitas. O islã acompanha o povo desde o nascimento até o sepultamento, marcando o calendário, as celebrações da família e a maneira de entender o certo e o errado. A oração, o jejum do Ramadã e a generosidade para com o necessitado fazem parte da vida comum.
Na Somália, ser do clã e ser muçulmano caminham juntos: a fé é parte do que significa pertencer ao povo. Por isso, quem pensa diferente costuma ser visto como alguém que se afasta da família e da comunidade, e não apenas como alguém que mudou de crença. Os seguidores de Jesus entre os rahanweyn são pouquíssimos, e o povo continua em grande parte sem ouvir o evangelho.
A língua do coração dos rahanweyn é o maay, e a Escritura disponível nela é ainda limitada, restrita a porções. Muitos rahanweyn convivem com o somali padrão, mas é no maay que ouvem a voz dos pais e dos avós e que expressam o que sentem. Para que a Palavra de Deus fale ao povo com clareza, ainda são necessárias mais traduções, de preferência também em formato de áudio, que alcança quem não lê.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Entre os rahanweyn, a identidade religiosa e a identidade do clã estão profundamente entrelaçadas, e seguir Jesus pode significar perder o apoio da família e da comunidade. Somam-se a isso a instabilidade que marca o sul da Somália, o risco a que qualquer cristão está exposto e a quase ausência de uma igreja na própria língua. As divisões internas entre os subclãs também tornam mais difícil o caminho de quem deseja levar o evangelho de modo que todo o povo possa ouvir.
As marcas da guerra, da fome e das secas recorrentes deixaram o povo com necessidade de paz duradoura, de alimento seguro, de saúde e de escolas para as crianças. Mais do que isso, os rahanweyn precisam conhecer o amor de Cristo em sua própria língua. Quem vier a crer precisará de proteção, de comunidade e de discipulado para permanecer firme, e o povo inteiro precisa de acesso à Palavra que seja compreensível e próxima do seu modo de falar.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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