Povo
Povo não alcançado
Os ravidas chamar são um povo do norte da Índia, ligado à grande comunidade chamar e ao seu ofício tradicional com couro, atividade essencial à vida rural mas vista por gerações como impura pelos hindus de castas mais altas. O nome que os distingue vem de Ravidas, santo e poeta que a tradição situa no século XV, lembrado por ensinar que todos são feitos do mesmo barro pelo mesmo Criador, mensagem que ainda hoje molda a identidade do grupo dentro do hinduísmo. Vivem sobretudo em aldeias, muitos ainda ligados ao ofício do couro, outros tecendo bambu ou trabalhando como diaristas e em plantações de chá. A pobreza, o analfabetismo e o peso do sistema de castas seguem marcando o cotidiano de boa parte das famílias. Falam principalmente hindi, embora outras línguas regionais também façam parte do seu dia a dia. Poucos entre os ravidas chamar já ouviram falar de Jesus, e menos ainda encontraram uma igreja ou uma comunidade cristã por perto: é um povo que segue, em grande parte, à espera de conhecer a esperança do evangelho.
A origem dos chamar remonta ao termo sânscrito charmakara, "trabalhador da pele", ofício que os hindus de castas mais altas passaram a considerar ritualmente impuro por lidar com carcaças de animais. Essa associação empurrou a comunidade para a margem da sociedade por séculos, mesmo sendo o couro um bem essencial para todos.
No século XV, nasceu entre eles Ravidas, santo-poeta que a tradição liga ao mestre Ramananda e considera contemporâneo do poeta Kabir. Ravidas pregava que todos são feitos do mesmo barro pelo mesmo Criador, e sua poesia de igualdade espiritual deu origem a uma devoção duradoura: os ravidas chamar são hoje os que preservam essa reverência dentro da tradição hindu, distintos de outro ramo do mesmo povo que passou a se identificar com o siquismo.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
1.475.000 |
Por gerações, o trabalho com couro (curtir peles, fazer sapatos, cintos e outros artigos de gado morto) definiu o lugar dos ravidas chamar na sociedade indiana, um ofício necessário mas visto como impuro pelos hindus de castas mais altas. Hoje muitos deixaram esse ofício para tecer bambu, trabalhar como diaristas sem terra ou em plantações de chá, sobretudo no norte do país.
A vida comunitária gira em torno da aldeia, da família extensa e, cada vez mais, da devoção a Ravidas, cujos ensinos de dignidade dão sentido e orgulho a uma identidade historicamente marcada pela exclusão. Faltam com frequência água encanada, eletricidade e saneamento nas áreas rurais onde vivem.
Os ravidas chamar são hindus, e sua fé se expressa tanto no culto às divindades do panteão hindu quanto, de forma marcante, na devoção a Ravidas como santo e guru espiritual. Em templos dedicados a ele, cantam seus versos e o veneram como alguém que, vindo do meio deles, alcançou união com o divino apesar do nascimento em casta baixa.
A mensagem central de Ravidas, de que todos são moldados do mesmo barro pelo mesmo Criador e de que a pureza vem da devoção sincera e não do nascimento, dá a essa comunidade um caminho próprio de dignidade dentro do hinduísmo, sem romper com ele.
O hindi, língua principal do povo, tem Bíblia completa desde o início do século XIX, hoje disponível também em áudio, vídeo e aplicativos. Mas boa parte dos ravidas chamar fala outras línguas do dia a dia, do bhojpuri ao guzerate, e o analfabetismo ainda comum entre eles torna a leitura um obstáculo real. Nesse contexto, ouvir a Palavra em voz alta costuma pesar mais do que lê-la.
Ser ravidas chamar é, para a maioria, ser hindu por herança de casta antes de ser hindu por escolha: abandonar a fé da família soa como abandonar o próprio povo. A pobreza e o analfabetismo limitam o acesso a qualquer ensino, inclusive religioso, e o estigma que ainda pesa sobre o antigo ofício do couro reforça o isolamento em relação a outras comunidades, inclusive cristãs. Nas áreas rurais onde vivem, raramente há uma igreja próxima ou alguém que já tenha ouvido falar de Jesus.
A pobreza rural, a falta de água potável, eletricidade e saneamento básico, e o baixo acesso à educação seguem marcando o cotidiano de muitas famílias ravidas chamar, junto com o peso ainda presente do preconceito de casta. Há necessidade real de dignidade, de oportunidade e de uma vida menos vulnerável à exclusão social.
No campo espiritual, falta sobretudo comunidade: quem entre eles vier a conhecer Jesus terá poucos irmãos na fé por perto, pouco discipulado e nenhuma igreja de referência na própria aldeia.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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