Povo
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Povo não alcançado Fronteira
Os tabasaranos são um povo do Cáucaso oriental, estabelecido há séculos nos contrafortes do sudeste do Daguestão, na Rússia, entre as montanhas e os vales dos rios Darvag, Rubas, Tchirakh e Karchag Su. Estão entre os povos mais antigos já registrados nas fontes históricas da região caucasiana, com menções que remontam a séculos passados, e hoje somam cerca de 130 mil pessoas na república do Daguestão.
Falam o tabasarã, uma língua do ramo lezguiano da família nakho-daguestanesa, conhecida por sua complexidade gramatical, e mantêm uma identidade fortemente ligada à terra, ao clã e à tradição. O ofício da tecelagem de tapetes, transmitido de geração em geração, é um dos símbolos mais reconhecidos de sua cultura, ao lado da música e de uma vida comunitária organizada em torno da aldeia de montanha.
Os tabasaranos figuram entre os primeiros povos mencionados nas fontes históricas sobre o Cáucaso, com uma trajetória que remonta a mais de mil anos na mesma região montanhosa. Antes da chegada do islã, o paganismo era amplamente praticado entre eles, e muitos desses costumes antigos sobreviveram, ajustando-se com o tempo às práticas islâmicas que vieram a predominar.
A fé islâmica se estabeleceu entre os séculos oitavo e nono, na esteira das conquistas árabes que alcançaram o Cáucaso. Em 1806, o território tabasarano foi incorporado ao Império Russo, um marco que redesenhou o lugar do povo dentro de um domínio político muito maior e que segue moldando sua realidade até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Rússia Não alcançado
|
98,4%
|
151.000 |
Uzbequistão Não alcançado
|
0,6%
|
900 |
Ucrânia Não alcançado
|
0,5%
|
800 |
Turcomenistão Não alcançado
|
0,5%
|
700 |
Muitas famílias tabasaranas vivem da agricultura em terraços erguidos nas encostas íngremes das montanhas, cultivando trigo, milho, feijão e uvas, além da criação de gado. A produção de tapetes é um ofício tradicional de destaque, transmitido entre gerações e reconhecido como uma das expressões mais finas do artesanato do Cáucaso, ao lado da tecelagem, do trabalho em madeira e da cerâmica.
A vida social gira em torno do tookhoom, uma estrutura de parentesco que une várias gerações em obrigações mútuas de ajuda, e do godekan, o espaço de reunião masculina no centro de cada aldeia onde se discutem os assuntos da comunidade. O respeito aos mais velhos, o cuidado com doentes e necessitados e uma hospitalidade generosa com visitantes estão entre os valores mais prezados: ter muitos amigos é, para um tabasarano, um tipo de riqueza.
A esmagadora maioria dos tabasaranos é muçulmana sunita, uma fé que chegou com as conquistas árabes entre os séculos oitavo e nono e que hoje está profundamente entrelaçada com a identidade do povo. Ser tabasarano e ser muçulmano são, na prática, quase a mesma coisa aos olhos da comunidade, e a vida da aldeia gira em torno das orações, do jejum e das festas do calendário islâmico.
Sob essa camada islâmica, porém, persistem traços de crenças pré-islâmicas antigas, adaptados e absorvidos ao longo dos séculos. Essa camada mais antiga convive, sem grande conflito, com a prática islâmica cotidiana, revelando uma religiosidade popular que combina ritual formal e tradição herdada dos ancestrais.
O Novo Testamento em tabasarã foi publicado em 2010, e nos anos seguintes vieram porções do Antigo Testamento, como Rute, Jonas, Ester e Daniel. Ainda assim, a Escritura completa na língua do coração permanece uma exceção rara na vida das famílias, num povo em que a oralidade e a tradição transmitida de boca em boca pesam mais do que a leitura. Ter esses textos disponíveis é um passo importante, mas o caminho até que cheguem às mãos e ao coração das pessoas comuns ainda está em construção.
Entre os tabasaranos, ser muçulmano é parte inseparável de ser tabasarano: abandonar o islã é visto como romper com a família e com o tookhoom, a rede de clã que organiza toda a vida social da aldeia. Essa fusão entre fé e identidade étnica torna qualquer aproximação ao evangelho um risco social alto, vivido diante dos vizinhos e da própria parentela. Some-se a isso a desconfiança histórica da região do Cáucaso em relação a qualquer testemunho cristão declarado, e o resultado é um isolamento espiritual que poucos de fora conseguem atravessar.
Há uma carência profunda de comunidade cristã e de discipulado entre os tabasaranos: os poucos que já creem em Jesus estão espalhados e, em geral, isolados de outros crentes de sua própria língua e cultura. Crescer na fé sem uma igreja local, sem irmãos próximos e sem material bíblico acessível em tabasarã é um desafio diário para quem decide seguir a Cristo nesse contexto. Falta também quem possa ensinar e acompanhar de perto os novos crentes, num ambiente onde a conversão costuma custar o convívio com a própria família.
Em 1997, o primeiro tabasarano tornou-se seguidor de Jesus Cristo, e desde então algumas dezenas mais vieram à fé, tanto nas aldeias de montanha quanto nos centros urbanos do Daguestão. Duas gravações de música cristã em estilo tabasarã genuíno circularam amplamente pela cultura, alcançando ouvidos que dificilmente seriam tocados de outra forma.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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