Povo
Tarik Abdel-Monem - Flickr, CC BY-NC-SA 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os tai muçulmanos vivem na Tailândia, num território onde duas fronteiras culturais se encontram: ao sul, o mundo malaio e islâmico; ao norte, a civilização tailandesa de tradição budista. Falam a língua tai como qualquer outro tailandês e compartilham costumes, culinária e vida cotidiana com seus vizinhos budistas, mas professam o islã como fé de família.
Essa dupla identidade é a marca mais forte do povo: em assuntos que não tocam a religião, consideram-se tailandeses antes de tudo, e muitos descendem de famílias que migraram há gerações de Bengala e de Yunnan, misturando-se por casamento à população local até se tornarem indistinguíveis dela na aparência e na língua.
É um povo urbano e bem integrado à vida nacional, presente sobretudo em Bangkok e na região central do país, onde constrói pontes entre duas tradições sem abrir mão de nenhuma das duas.
As origens dos tai muçulmanos remontam a comerciantes e migrantes vindos da região de Bengala, na Índia, e da província chinesa de Yunnan, que se estabeleceram na Tailândia ao longo de séculos de rotas comerciais e deslocamentos. Ao se fixarem em terras de maioria budista, casaram-se com famílias tailandesas e adotaram a língua e muitos costumes locais, preservando o islã como elo com a fé dos antepassados.
Os monarcas tailandeses, tradicionalmente reconhecidos como protetores de todas as religiões do reino, favoreceram essa convivência: um rei chegou a patrocinar a tradução do Alcorão para o tailandês em 1964, um gesto que ajudou a consolidar a comunidade dentro da identidade nacional em vez de à margem dela.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Tailândia Não alcançado
|
100%
|
1.363.000 |
No dia a dia, os tai muçulmanos vivem como seus vizinhos tailandeses: trabalham no comércio, em profissões urbanas e na vida pública das cidades, especialmente na capital e na região central do país. A refeição em família ocupa lugar central e costuma se estender por mais tempo do que entre outros grupos, sinal do valor dado à convivência doméstica.
A educação é muito valorizada, inclusive para as meninas, e muitas famílias investem no estudo dos filhos como caminho de mobilidade social. A identidade islâmica se expressa mais na prática religiosa e nos ritos de fé do que em vestimenta ou costumes exteriores, o que torna o povo, à primeira vista, pouco distinguível da maioria budista ao redor.
A fé islâmica é vivida com seriedade crescente entre os tai muçulmanos, que mantêm mesquita, oração e jejum como parte normal da vida familiar, ainda que num país de maioria budista onde essas práticas os distinguem claramente dos vizinhos. Para muitos, ser muçulmano é o elo mais forte com os antepassados que vieram de fora e com uma comunidade de fé que atravessa gerações.
Ao mesmo tempo, a identidade tailandesa segue intacta: fora do templo e da mesquita, participam da vida cívica, das festas nacionais e da cultura tailandesa como qualquer concidadão. Essa convivência entre duas lealdades, a de fé e a de nação, é vivida sem conflito aberto, mas também sem se confundir uma com a outra.
A língua tailandesa tem uma Bíblia completa há mais de cem anos, revisada e reeditada várias vezes ao longo do século passado, e hoje disponível em diferentes versões impressas e digitais. A barreira, portanto, não é de tradução: é de acesso e de disposição para ouvir. Entre os tai muçulmanos, a Escritura circula normalmente entre os tailandeses budistas ao redor, mas raramente chega às famílias muçulmanas, que associam a Bíblia a uma fé estranha à sua origem étnica e não a buscam por conta própria.
Entre os tai muçulmanos, a fé islâmica funciona como elo com os antepassados que vieram de Bengala e de Yunnan, de modo que abandoná-la soa como negar a própria origem familiar, não apenas trocar de religião. Some-se a isso o fato de que o evangelho, no imaginário local, aparece ligado à maioria budista ou a estrangeiros, nunca a alguém da própria comunidade, o que torna quase inexistente qualquer testemunho vindo de dentro do povo.
Não há, até onde se sabe, comunidade cristã reconhecível entre os tai muçulmanos, nem alguém de dentro do próprio povo que já tenha testemunhado sobre Jesus aos seus. A maior carência é justamente essa ausência de uma voz próxima e confiável, alguém que fale a mesma língua, entenda a mesma cultura e possa apresentar o evangelho sem que soe como convite para abandonar a família e a herança.
Como povo bem integrado à vida urbana e escolarizada da Tailândia, os tai muçulmanos têm acesso a educação e recursos que outros povos não têm; a lacuna não é material, mas espiritual, e pede paciência, amizade genuína e tempo de convivência antes de qualquer conversa sobre fé.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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