Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os tártaros siberianos do Tobol-Irtysh são um dos ramos mais numerosos dos tártaros da Sibéria, vivendo nas bacias dos rios Irtysh e Tobol, nas regiões de Omsk e Tiumen, no oeste da Rússia. Ao lado deles, outros ramos do mesmo povo, como os tártaros de Barabá e de Tomsk, ocupam áreas vizinhas da planície siberiana ocidental.
Descendem de um encontro antigo entre povos ugrianos, samoiedos e turcos que se estabeleceu ao longo de séculos nessa região. Falam um dialeto próprio da língua tártara siberiana, distinto do tártaro falado na região do Volga, e mantêm uma identidade ligada à terra, aos rios e às florestas onde vivem há gerações, com o comércio e a tradição oral ocupando lugar importante em sua cultura. Sua história está entrelaçada à memória de um antigo canato siberiano que precedeu a chegada dos russos à região.
Os ancestrais dos tártaros siberianos formaram-se do encontro entre grupos ugrianos, samoiedos e turcos que penetraram a planície siberiana ocidental, movimento que se intensificou entre os séculos XI e XII com a chegada de povos turcos da Ásia Central. Desse encontro nasceu, no século XIV, um canato siberiano com centro na atual cidade de Tiumen, que organizou política e culturalmente os tártaros da região por séculos.
A chegada de colonos russos ao fim do século XVI encerrou a autonomia desse canato e trouxe os tártaros siberianos para dentro do império russo, mas suas aldeias nas bacias do Irtysh e do Tobol permaneceram habitadas pelo mesmo povo até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Rússia Não alcançado
|
100%
|
150.000 |
Muitas famílias tártaras siberianas ainda vivem em aldeias remotas nas margens dos rios Irtysh e Tobol, algumas isoladas boa parte do ano pelo terreno pantanoso e pela neve. A pesca em lagos e rios, a caça e a coleta de frutas silvestres da floresta seguem centrais na vida cotidiana, ao lado de hortas de batata, cevada e ervilha cultivadas nos curtos verões siberianos.
O trabalho em couro, a trança de cordas e cestos, e a talha de madeira para barcos, trenós e utensílios domésticos mantêm vivos ofícios transmitidos de geração em geração. A vida em aldeia reforça laços de vizinhança e ajuda mútua diante do clima rigoroso.
A grande maioria dos tártaros siberianos se identifica como muçulmana sunita, ainda que essa fé seja vivida, para muitos, de forma mais cultural do que doutrinária. O islã está profundamente ligado ao que significa ser tártaro, de modo que a identidade étnica e a religiosa quase se confundem, mesmo quando a prática cotidiana da oração e do jejum é distante e desigual entre as famílias.
Sob essa camada islâmica, porém, persistem crenças e práticas herdadas do xamanismo dos ancestrais, incluindo um temor a espíritos e forças invisíveis que continua moldando decisões e comportamentos. O festival sazonal do sabantuy, celebrado até hoje com jogos e competições, guarda raízes em tradições agrárias anteriores à chegada do islã à região.
A Bíblia completa existe há tempos no idioma tártaro padrão, mas os tártaros siberianos falam um dialeto próprio, hoje considerado ameaçado, para o qual as Escrituras chegaram apenas em porções: o livro de Jonas, depois Rute e Ester, e mais recentemente o Evangelho de Marcos. A maior parte do povo ainda não teve contato direto com esses textos em sua própria fala.
O islã sunita, mesmo vivido de forma nominal por boa parte do povo, funciona como fronteira cultural e afetiva diante do evangelho: mudar de fé é visto como romper com a identidade tártara. A isso soma-se o peso do xamanismo herdado dos ancestrais, que alimenta um medo do mundo espiritual difícil de superar com argumentos. O isolamento de aldeias que ficam meses sem acesso fácil ao resto do país aprofunda essa distância.
O isolamento geográfico de muitas aldeias tártaras siberianas dificulta o acesso a serviços básicos, educação e, sobretudo, a qualquer contato com uma comunidade cristã. Há grande necessidade de recursos em áudio e vídeo que superem as barreiras de alfabetização e cheguem a quem vive longe de centros urbanos.
Também falta ao povo uma presença cristã próxima, capaz de conviver, aprender sua língua e conquistar a confiança necessária para compartilhar o evangelho com respeito à cultura local, ajudando os poucos que já creem a crescer como discípulos.
Nos últimos anos, partes das Escrituras passaram a existir pela primeira vez no dialeto siberiano do povo: o livro de Jonas, depois Rute e Ester, e mais recentemente o Evangelho de Marcos. É um passo ainda pequeno, mas concreto, na direção de o povo ouvir a Palavra em sua própria fala.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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