Povo
Povo não alcançado
Os Tharu Rana vivem na planície do Terai, ao pé do Himalaia, no extremo oeste do Nepal e em áreas vizinhas do norte da Índia. No Nepal, concentram-se nos distritos de Kailali e Kanchanpur. Na Índia, aparecem em Udham Singh Nagar, em Uttarakhand, e em Kheri, em Uttar Pradesh. É uma paisagem de florestas, rios e campos cultivados, que moldou o jeito de viver deste povo por muitas gerações.
Fazem parte do conjunto mais amplo dos povos tharu, mas se reconhecem como um grupo com nome, costumes e memória de origem próprios. Essa identidade se transmite de pais para filhos e mantém unidas as famílias, mesmo quando vivem em países diferentes.
A língua materna, o rana tharu, é a voz do lar e das celebrações. Ao lado dela, muitos falam o nepali no Nepal e o hindi na Índia, conforme o país em que vivem. Para este povo, a fala dos avós é um tesouro que carrega a história de cada família.
Muitos Tharu Rana contam que seus antepassados vieram do deserto de Thar, no Rajastão, e se estabeleceram no Terai depois da derrota de um grande líder diante de um imperador mogol, no século XVI. Por isso se dizem de origem rajaputa. A maioria dos estudiosos não aceita essa narrativa como história comprovada, mas ela é repetida há gerações pelo próprio povo.
Seja qual for a origem exata, este povo habita há muito tempo a floresta e a planície do extremo oeste do Terai. Hoje vive dividido entre dois países, com realidades políticas diferentes, mas conserva a consciência de ser um só povo, com laços de parentesco que atravessam a fronteira.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Nepal Não alcançado
|
94,2%
|
228.000 |
Índia Não alcançado
|
5,8%
|
14.000 |
A vida gira em torno da família e da comunidade. A terra, a floresta e o rio fazem parte do cotidiano, e a identidade do povo está profundamente ligada a esse território onde as gerações se sucedem. Nas aldeias do Terai, o ritmo das estações e do trabalho no campo marca o calendário das famílias.
Nas festas, nos encontros de parentes e na conversa de cada dia, a língua rana tharu continua sendo a voz do povo. É ali que as histórias dos antepassados são contadas e que os mais jovens aprendem quem são e a quem pertencem. Cada geração recebe dos mais velhos a língua, os costumes e o sentido de comunidade, e passa adiante esse legado com cuidado e gratidão.
Hoje a maioria se declara hindu. Ao lado do hinduísmo, a vida religiosa do povo inclui práticas tradicionais ligadas à terra e à floresta, com festas e rituais da comunidade que se herdam dos antepassados.
Assim, a religião é vivida como parte da identidade de família e de povo. Muitos pertencem a essa fé mais por pertencimento do que por reflexão pessoal, e quem se volta para outro caminho pode ser visto como alguém que se afasta da própria gente. Poucos tiveram a oportunidade de conhecer Jesus de forma clara e na própria língua. Ainda assim, o desejo de viver em harmonia com a família, com a terra e com os antepassados mostra um povo que valoriza o sagrado e que pode, um dia, encontrar em Cristo a resposta mais profunda para essa busca.
Existem trechos das Escrituras em variedades da língua tharu, mas é pouco o que chega aos Tharu Rana na fala que usam em casa. Na região circulam sobretudo textos em nepali e em hindi, que muitos entendem como segunda língua, mas que não falam ao coração como a língua da mãe. Por isso, a Palavra de Deus na fala do povo, em texto, áudio e histórias, seria um passo precioso para que cada família possa ouvir de Jesus em sua própria língua.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Para os Tharu Rana, fé e pertencimento caminham juntos: a religião dos antepassados e do hinduísmo é vista como parte de ser quem se é. Seguir a Cristo pode ser interpretado como abandonar a comunidade. A isso somam-se a pouca presença de Escrituras na língua materna, o número muito pequeno de cristãos entre eles e a distância das aldeias em relação a quem possa acompanhá-los no caminho da fé dentro de sua própria cultura.
O povo precisa de ver sua língua e sua cultura valorizadas, para que as crianças não percam o elo com as gerações anteriores. Como em muitas comunidades rurais do Terai, há necessidade de educação, de saúde e de oportunidades justas de sustento para as famílias.
No campo espiritual, falta o que mais importa: o encontro com Jesus de modo compreensível, em sua língua, vivido por pessoas de dentro da própria comunidade. É necessário que surjam pequenos grupos de discípulos que mostrem que seguir a Cristo não faz ninguém deixar de ser Tharu Rana.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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