Povo
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Povo não alcançado Fronteira
Os uigures são um povo turcófono da Ásia Central, cuja identidade se formou nas cidades-oásis da Rota da Seda, no que hoje é a região de Xinjiang, no noroeste da China. Diferente de muitos povos vizinhos de origem nômade, os uigures construíram sua história como comerciantes e agricultores urbanos, erguendo cidades como Kashgar e Turfan em pontos de passagem entre a China, a Pérsia e o mundo turco.
Sua língua pertence ao ramo turco carluque, próxima do uzbeque, e sua escrita tradicionalmente usa o alfabeto árabe. O nome “uigur” como identidade unificada é relativamente recente: até o início do século XX, os habitantes das diferentes cidades-oásis se identificavam antes pelo lugar onde viviam do que por um nome étnico comum.
Hoje, a esmagadora maioria dos uigures ainda vive em Xinjiang, com comunidades menores espalhadas pela Ásia Central, pela Turquia e por outros países, muitas delas formadas por quem deixou a região em diferentes momentos do século passado.
As raízes dos uigures remontam a tribos turcas do Altai que, no século VIII, formaram um cacanato nas estepes da atual Mongólia. Por volta do ano 840, pressionados por outro povo turco, migraram para o sudoeste e se estabeleceram nos oásis onde vivem até hoje, trocando a vida nômade pela vida urbana e agrícola. Ao longo dos séculos seguintes, absorveram influências budistas, maniqueístas e, a partir do século X, islâmicas, até que por volta do século XVI o islã se tornasse a fé quase universal entre eles, moldando profundamente a cultura e a identidade que reconhecemos hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
China Não alcançado
|
95,9%
|
11.775.000 |
Cazaquistão Não alcançado
|
2,6%
|
321.000 |
Quirguistão Não alcançado
|
0,5%
|
65.000 |
Uzbequistão Não alcançado
|
0,4%
|
54.000 |
Turquia Não alcançado
|
0,2%
|
26.000 |
Mongólia Não alcançado
|
0,1%
|
13.000 |
Estados Unidos Não alcançado
|
0,1%
|
10.000 |
Arábia Saudita Não alcançado
|
0,1%
|
8.200 |
Irã Não alcançado
|
0,1%
|
6.900 |
Austrália Não alcançado
|
0%
|
5.300 |
A vida uigur tradicionalmente gira em torno do oásis: cidades como Kashgar cresceram onde a água dos canais permite cultivar algodão, trigo, melões e frutas em meio ao deserto. O bazar e a mesquita ficam no centro da cidade, e o comércio, herdado de séculos como entroncamento da Rota da Seda, ainda marca o cotidiano com feiras, artesanato e hospitalidade: receber um visitante com chá, pão e fruta antes de qualquer assunto é quase uma regra não escrita.
A família extensa e o bairro são a base da vida social, e a culinária, com destaque para o pilaf e o pão assado em forno de barro, carrega forte identidade própria diante da cultura han que hoje domina a região.
Os uigures são majoritariamente muçulmanos sunitas, com forte presença histórica do sufismo, sobretudo da ordem Naqshbandi, cujos líderes espirituais, os khojas, chegaram a governar Kashgar entre os séculos XVII e XIX e moldaram por gerações tanto a vida religiosa quanto a política da região. O calendário islâmico organiza o ritmo das orações, do jejum e das festas como o Eid al-Fitr e o Eid al-Adha, vividas em família e na comunidade.
Para os uigures, a fé islâmica está tão entrelaçada com a identidade étnica que os dois se tornaram quase inseparáveis: ser uigur é, na prática, ser muçulmano, e essa fusão dá à religião um peso que vai além da devoção pessoal.
O Novo Testamento em uigur moderno foi concluído no início dos anos 2000, fruto de um longo trabalho de tradução iniciado ainda no século XIX. Ainda assim, o acesso prático ao texto é limitado: distribuir ou possuir material cristão em Xinjiang é vigiado de perto, e o alto valor dado à oralidade e à recitação nas mesquitas locais faz da Escritura escrita um caminho pouco percorrido até agora entre a maioria dos uigures.
Entre os uigures, ser muçulmano é parte inseparável de ser uigur: a fé sustenta a identidade étnica diante da pressão da cultura majoritária chinesa, e abandoná-la é visto como abandonar o próprio povo. A vigilância estatal sobre a vida religiosa em Xinjiang tornou extremamente arriscado reunir-se, ensinar a fé ou mesmo manter contato com cristãos, isolando ainda mais quem se aproxima do evangelho.
Famílias uigures enfrentam hoje forte pressão sobre sua língua, sua religião e seus laços familiares, com muitos vivendo sob vigilância constante ou separados de parentes. Há grande necessidade de liberdade para viver a fé e a cultura sem medo, de reconciliação entre famílias fragmentadas e de espaços seguros onde a comunidade possa se fortalecer.
No campo espiritual, falta ao povo uigur contato com irmãos na fé e discipulado num contexto onde seguir Jesus custa caro: quem se aproxima do evangelho frequentemente o faz sozinho, sem comunidade ao redor para caminhar junto.
Mesmo sob vigilância intensa, há relatos de uigures que se tornaram seguidores de Jesus e de pequenas comunidades de fé que persistem discretamente em Xinjiang e na diáspora. O Novo Testamento em uigur moderno, concluído no início dos anos 2000 após mais de um século de trabalho de tradução, continua sendo lido e compartilhado por esses poucos crentes, um sinal de que a Palavra já fala a língua do coração deste povo.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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