Povo
Os Unserdeutsch são uma comunidade pequena e singular, cujo nome significa “nosso alemão”. Eles se identificam por uma língua que nasceu há mais de um século na Nova Guiné e que não existe em nenhum outro lugar do mundo: o único crioulo de base alemã conhecido, também chamado de crioulo alemão de Rabaul.
Sua origem está em crianças de ascendência mista, filhas de contatos entre europeus e povos locais ou trabalhadores vindos de outras ilhas do Pacífico, que cresceram juntas num internato e orfanato mantido por uma missão. Ali elas aprenderam alemão e, entre si, deram a ele uma forma própria, moldada pelo Tok Pisin e por outras línguas da região.
Hoje a maior parte dos falantes vive na costa leste da Austrália, para onde as famílias se mudaram depois da independência de Papua-Nova Guiné. São, em sua maioria, pessoas de meia-idade ou idosas, e quase todas falam também inglês, alemão padrão ou Tok Pisin. A língua guarda a memória de uma comunidade que nunca coube inteiramente em nenhum dos mundos de onde veio.
A história começa em 1898, quando missionários católicos fundaram um internato e orfanato em Vunapope, perto de Kokopo, na região de Gazelle, então parte da Nova Guiné Alemã. As crianças que passaram por ali vinham de famílias mistas e eram educadas em alemão, enquanto fora da sala de aula conviviam com o Tok Pisin e com as línguas locais.
Dessa convivência, ainda numa única geração, surgiu uma nova língua que se tornou o idioma íntimo do grupo. Depois de 1975, com a independência de Papua-Nova Guiné, a maioria das famílias emigrou para a Austrália. Pesquisas de campo recentes mostram que a língua já não é transmitida como língua materna às novas gerações.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Austrália Pouco alcançado
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100%
|
100 |
Espalhados por diferentes cidades da costa australiana, os Unserdeutsch não formam um bairro ou uma aldeia: a comunidade se mantém por laços de família, de memória compartilhada e pelo reencontro de quem cresceu nas mesmas instituições. A vida diária acontece em inglês, e o Unserdeutsch ficou como língua de casa e de intimidade, usada de modo informal entre parentes e amigos da mesma geração.
Os casamentos fora do grupo e a mobilidade natural da vida moderna aproximaram as famílias da sociedade australiana ao redor, e as crianças crescem em outras línguas. Ao mesmo tempo, cresce o interesse em registrar a língua e as histórias de vida de seus falantes, como uma forma de dar lugar a um passado que por muito tempo foi pouco contado.
A trajetória do grupo está ligada desde o início ao cristianismo, já que a língua nasceu dentro de uma instituição católica e muitos de seus primeiros falantes foram criados sob o cuidado de uma missão. Para boa parte da comunidade, a fé cristã faz parte da memória de infância e da identidade familiar.
Como os dados sobre a vida religiosa atual são escassos, é preciso evitar generalizações. Vivendo hoje em contexto secular, longe da vida de aldeia, cada pessoa e cada família vive a fé de modo próprio e pessoal, e cada uma dessas histórias merece ser ouvida com atenção e respeito.
Não há notícia de Escrituras traduzidas para o Unserdeutsch, e a língua, de uso sobretudo oral e familiar, não tem tradição escrita estabelecida. Na prática, seus falantes são bilíngues ou multilíngues e podem ler a Palavra em inglês, em alemão ou em Tok Pisin, línguas que conhecem bem. A questão mais delicada é que a mensagem do evangelho ainda não chegou ao grupo na língua do coração, aquela das conversas íntimas e da infância.
O maior desafio é a dispersão: sem uma região própria nem igrejas ligadas à identidade do grupo, os Unserdeutsch vivem diluídos entre milhões de australianos e são pouco visíveis. A língua em declínio e o número reduzido de pessoas dificultam que alguém os procure de forma intencional. Soma-se a isso a marca da história de internato, em que a relação com a instituição religiosa pode ter deixado lembranças diversas, e o ritmo de uma sociedade secular, em que a fé tende a ser tratada como assunto privado.
Muitos dos falantes são idosos, e há a necessidade humana de serem ouvidos, valorizados e acompanhados, com atenção à sua história de infância e de deslocamento. Há também a necessidade de comunidade: relações de amizade e de cuidado que alcancem quem vive afastado dos demais. Espiritualmente, precisam de testemunhas que os conheçam pelo nome, respeitem sua singularidade e lhes ofereçam a esperança de Cristo de forma pessoal e acolhedora, em inglês ou, quando possível, na língua que os une.
Ore por Unserdeutsch
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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