Povo
Müge Yildiz - Wikimedia, CC BY-SA 4.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os zaza-alevica são um povo de raízes iranianas que vive nas montanhas do leste da Turquia, sobretudo na província de Tunceli e em áreas vizinhas como Sivas, Erzincan, Bingöl e Elazığ. Falam o zazaki setentrional, língua iraniana distinta que muitos vizinhos e o próprio Estado turco tendem a confundir com um dialeto curdo, embora os linguistas a reconheçam como língua própria.
Sua identidade é inseparável do alevismo, uma tradição religiosa distinta do islã sunita majoritário no país. Essa combinação de língua própria e fé alevi fez deles um povo de perfil marcadamente diferente dos demais grupos da região, com uma história marcada por deslocamento das grandes cidades e apego às montanhas onde preservam costumes antigos.
Vivem principalmente em vilarejos de difícil acesso, um traço que ajudou a preservar sua cultura, mas também os manteve à margem da vida econômica e política turca por gerações.
A origem dos zaza-alevica remonta a povos iranianos que se estabeleceram nas montanhas do leste da Anatólia muito antes da chegada dos turcos à região. Ao longo dos séculos, seu isolamento geográfico nas serras de Tunceli e arredores permitiu que mantivessem uma língua e uma prática religiosa próprias, distintas tanto do curdo quanto do islã sunita dominante.
Com a formação da Turquia moderna, esse isolamento se tornou também político: por não se encaixarem nem na identidade turca sunita nem na curda tradicional, os zaza-alevica foram historicamente tratados como um grupo à parte, o que reforçou o apego à terra natal nas montanhas como refúgio de identidade.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Turquia Não alcançado
|
87,9%
|
400.000 |
Alemanha Não alcançado
|
6,8%
|
31.000 |
Grécia Não alcançado
|
5,3%
|
24.000 |
A vida dos zaza-alevica está ligada à terra e às montanhas onde moram há gerações: a maioria leva hoje uma vida mais estabelecida em vilarejos, com pequenas propriedades agrícolas e criação de animais, embora parte ainda pratique um estilo semi-nômade, subindo às pastagens de altitude no verão e descendo às planícies no inverno. A geografia acidentada de Tunceli e das províncias vizinhas isolou essas comunidades das grandes rotas comerciais, mantendo um ritmo de vida mais tradicional que o das cidades turcas.
A língua zazaki é falada em casa e nas relações de vizinhança, enquanto o turco predomina nos assuntos oficiais e religiosos. Essa divisão entre a língua do lar e a língua pública é parte central de como os zaza-alevica vivem sua identidade dupla, guardando em casa aquilo que raramente aparece na vida pública do país.
Os zaza-alevica se identificam como muçulmanos, mas seguem o alevismo, uma tradição que mistura elementos de diferentes correntes religiosas e se afasta em pontos importantes da prática sunita comum na Turquia. Para eles, o que importa é a condição do coração, não o cumprimento formal dos ritos externos observados pela maioria sunita.
Essa diferença de prática faz com que sejam vistos com desconfiança e até desprezo por parte da maioria sunita do país, que os considera desviantes da fé correta. Ainda assim, o alevismo permanece como eixo central da identidade e da coesão comunitária dos zaza-alevica, distinguindo-os claramente dos vizinhos sunitas.
O zazaki setentrional, língua do lar dos zaza-alevica, já conta com porções das Escrituras no dialeto de Dersim e Hozat, região central de Tunceli onde este povo vive, fruto de um esforço de tradução ainda em curso. A Bíblia completa neste dialeto, porém, ainda não existe, e a distribuição dessas porções segue limitada. A oralidade e o convívio de vila seguem sendo os principais canais pelos quais qualquer mensagem circula entre eles.
A combinação de língua própria com uma fé considerada heterodoxa pelos sunitas isola os zaza-alevica em dois sentidos ao mesmo tempo: são vistos como estranhos pela maioria religiosa do país e como um grupo à parte mesmo entre os curdos, com quem partilham origem, mas não a língua. Essa rejeição dupla, somada ao isolamento das montanhas onde vivem, dificulta o acesso de qualquer mensagem nova, inclusive do evangelho, e a escassez de Escritura em sua própria língua aprofunda essa distância.
Como grupo historicamente marginalizado dentro da sociedade turca, os zaza-alevica carecem sobretudo de melhores oportunidades de educação e qualificação profissional para os mais jovens, o que ajudaria a romper o ciclo de isolamento econômico ligado às regiões montanhosas onde vivem.
No campo espiritual, a necessidade mais evidente é a de mais Escritura acessível na própria língua e de alguma forma de comunidade cristã por perto: não há relato de uma comunidade de seguidores de Jesus estabelecida entre eles, o que os deixa sem referência viva do evangelho em sua cultura.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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