1707–1788

Compositor de hinos · Clérigo anglicano

Charles Wesley

Resumo
Compositor de hinos e clérigo anglicano inglês, um dos fundadores do movimento metodista ao lado do irmão John Wesley. Autor de mais de seis mil hinos, entre eles "Hark! The Herald Angels Sing" e "O for a Thousand Tongues to Sing", moldou a espiritualidade do avivamento evangélico que se espalhou pelo mundo.
Quem foi
Biografia

Quem canta “Hark! The Herald Angels Sing” no Natal ou “O for a Thousand Tongues to Sing” num culto dificilmente sabe que aprendeu teologia com um clérigo inglês do século 18. Charles Wesley escreveu milhares de hinos que atravessaram séculos e línguas, ensinando a fé cantada antes de ensinada em livros.

Nasceu em 18 de dezembro de 1707, em Epworth, na Inglaterra, filho do clérigo Samuel Wesley e de Susanna Wesley, e o caçula entre os filhos homens do casal que sobreviveram à infância. Estudou na Westminster School, em Londres, e depois em Christ Church, Oxford, onde se destacou traduzindo poetas clássicos gregos e latinos para o inglês.

Em 1729, ainda estudante em Oxford, reuniu alguns colegas em um pequeno grupo dedicado a jejum, oração e visitas a prisioneiros. O rigor da rotina rendeu ao grupo o apelido zombeteiro de metodistas, termo que o irmão mais velho, John Wesley, assumiria como nome do movimento que nasceria uma década depois.

Em 1735, Charles acompanhou John à colônia da Geórgia, na América, como secretário de assuntos indígenas do governador James Oglethorpe e capelão do forte Frederica. A missão foi breve e amarga: sua rigidez desagradou os colonos, e ele retornou à Inglaterra menos de um ano depois, doente e desanimado com o fracasso.

Em 21 de maio de 1738, domingo de Pentecostes, doente na casa de um amigo em Londres, encontrou a certeza da fé que buscava fazia dias lendo o comentário de Lutero sobre Gálatas. Escreveu no diário: “Agora me encontrei em paz com Deus, e me alegrei na esperança de amar a Cristo.”

Nos anos seguintes, passou a compor hinos aos milhares, entre eles “And Can It Be” e “O for a Thousand Tongues to Sing”, publicados com John em Hymns and Sacred Poems. Ao longo da vida, escreveu mais de seis mil textos, boa parte deles ainda cantada em cultos pelo mundo.

Casou-se com Sarah Gwynne em 1749, no País de Gales; dois de seus filhos, Charles e Samuel, tornaram-se organistas e compositores respeitados. Diferente de John, Charles nunca deixou de se ver como padre anglicano e discordou abertamente quando o irmão passou a ordenar pregadores por conta própria para a América, temendo o rompimento com a Igreja, um atrito que marcou os últimos anos da relação entre os dois irmãos.

Morreu em 29 de março de 1788, em Londres, pedindo ao pároco que o sepultasse como membro fiel da Igreja da Inglaterra. Seus hinos, porém, atravessaram fronteiras denominacionais: seguem, hoje, traduzidos em dezenas de línguas, ensinando a fé cantada a novas gerações em igrejas ao redor do mundo.

“Senhor, seja o que for que o mundo diga de mim, vivi e morro membro da Igreja da Inglaterra.”
Charles Wesley · Últimas palavras ao pároco de Marylebone, pouco antes de sua morte (1788)
Linha do tempo
1707

Nascimento em Epworth

Nasce em 18 de dezembro, filho do clérigo Samuel Wesley e de Susanna Wesley, caçula entre os filhos homens do casal que sobreviveram à infância.

1726

Ingresso em Christ Church, Oxford

Destaca-se traduzindo poetas clássicos gregos e latinos para o inglês.

1729

Fundação do Holy Club

Reúne colegas em Oxford num grupo de disciplina espiritual, origem do apelido metodistas.

1735

Viagem à Geórgia

Parte com John para a América como secretário de assuntos indígenas do governador Oglethorpe e capelão do forte Frederica.

1736

Retorno malsucedido da Geórgia

Volta à Inglaterra doente e desanimado, menos de um ano depois.

21 de maio de 1738

Certeza da fé em Pentecostes

Encontra paz com Deus lendo o comentário de Lutero sobre Gálatas.

1739

Publicação de Hymns and Sacred Poems

Lança com John a primeira grande coletânea de hinos, incluindo textos como "Hark! The Herald Angels Sing".

1749

Casamento com Sarah Gwynne

Casa-se em Gales; dois filhos, Charles e Samuel, tornam-se músicos notáveis.

1788

Morte em Londres

Morre em 29 de março, sepultado como membro da Igreja da Inglaterra.

Obras e marcos

Fundação do Holy Club em Oxford

1729

Reuniu colegas em disciplina de oração, jejum e visitas a prisioneiros; o grupo recebeu o apelido de metodistas.

"And Can It Be"

1738

Hino escrito nos dias seguintes à sua conversão, um dos mais cantados sobre a graça que liberta.

Hymns and Sacred Poems

1739

Primeira grande coletânea de hinos publicada com o irmão John, base do hinário metodista.

"O for a Thousand Tongues to Sing"

1739

Hino escrito no primeiro aniversário de sua conversão, hoje cantado em dezenas de línguas.

"Hark! The Herald Angels Sing"

1739

Canção natalina composta por Wesley, com o título e parte da letra alterados por George Whitefield anos depois.

Hymns on the Lord's Supper

1745

Coletânea de hinos eucarísticos escrita com John, de forte densidade teológica sobre a Ceia.

Contribuições
1

Teologia cantada

Transformou doutrinas da graça, da conversão e da santificação em hinos que ensinavam teologia a quem não sabia ler.

2

Consolidação do hinário metodista

Seus textos, ao lado dos de John, deram ao movimento metodista uma linguagem própria de adoração, usada até hoje.

3

Permanência na Igreja Anglicana

Ao contrário de John, nunca deixou de se identificar como clérigo anglicano, funcionando como voz de equilíbrio dentro do movimento.

4

Herança musical familiar

Seus filhos Charles e Samuel tornaram-se organistas e compositores de destaque, ampliando a presença da música sacra da família.

Legado missionário

Hinos como "Hark! The Herald Angels Sing" e "O for a Thousand Tongues to Sing" são cantados hoje em cultos ao redor do mundo, traduzidos para dezenas de línguas.

Deu ao movimento metodista, um dos maiores impulsionadores de missões nos séculos 19 e 20, sua linguagem de louvor e doutrina.

Consolidou o modelo de hino como ferramenta de evangelização e discipulado, usado por igrejas e missões até hoje.

Sua ênfase na certeza pessoal da salvação alimentou a espiritualidade avivalista que segue moldando igrejas missionárias globais.

Outras pessoas