Blaise Pascal
1623–1662

Filósofo · Matemático · Apologista

Blaise Pascal

Domínio público, via Wikimedia Commons · fonte

Resumo
Filósofo, matemático e físico francês do século 17, autor dos Pensamentos, obra inacabada que se tornou uma das mais influentes defesas da fé cristã diante do ceticismo moderno. Após uma experiência religiosa intensa em 1654, dedicou os últimos anos a escrever em favor do evangelho.
Quem foi
Biografia

Muita gente já parou diante de uma grande decisão sem saber em que apostar a vida. Blaise Pascal viveu essa tensão de um jeito radical: gênio da matemática desde criança, ele também enfrentou a pergunta que todo ser humano enfrenta, o que fazer com a própria fragilidade diante de Deus.

Nascido em Clermont-Ferrand, na França, em 19 de junho de 1623, Pascal perdeu a mãe ainda criança e foi educado pelo pai, um magistrado e matemático amador que logo percebeu o talento do filho. Aos dezenove anos, construiu a Pascalina, uma das primeiras máquinas de calcular da história, para ajudar o pai a somar impostos.

Nos anos seguintes dedicou-se à física e à matemática: projetou o experimento que comprovaria a existência da pressão atmosférica e, doente demais para subir a montanha, pediu ao cunhado Florin Périer que o realizasse no topo do Puy-de-Dôme, em 1648. Trocou também cartas com Pierre de Fermat sobre jogos de azar, lançando as bases da teoria da probabilidade.

Na noite de 23 de novembro de 1654, viveu uma experiência religiosa intensa que mudou o rumo de sua vida. Escreveu, num papel que costurou dentro do casaco e carregou até morrer, as palavras conhecidas hoje como o Memorial: “Deus de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó, não dos filósofos e sábios”.

Aproximou-se então de Port-Royal, comunidade ligada ao movimento jansenista, onde sua irmã Jacqueline Pascal já vivia como freira. Escreveu as Cartas Provinciais, defendendo um amigo jansenista com uma ironia tão afiada contra a moral frouxa de parte dos jesuítas que, segundo historiadores, o retrato que fez deles nem sempre foi justo, ao atacar quase só a ordem jesuíta e negar valor até aos usos legítimos da casuística.

Nos últimos anos, já muito doente, chegou a usar um cinto com pontas de metal por baixo da roupa, pressionando-o com o cotovelo para se lembrar de evitar a vaidade quando sentia orgulho ou prazer demais em alguma situação, prática relatada pela própria irmã Gilberte em sua biografia. Morreu em Paris em 19 de agosto de 1662, aos trinta e nove anos, após uma vida inteira marcada por dores que os médicos de então não souberam explicar.

Suas anotações foram publicadas depois da morte como Pensamentos, um mosaico de fragmentos que argumenta que a razão sozinha não alcança Deus, mas que o coração humano, ao mesmo tempo grandioso e miserável sem o Criador, só encontra descanso nele.

O legado de Pascal atravessa séculos: seu argumento da aposta e sua descrição da grandeza e miséria humanas continuam sendo ferramenta viva para quem hoje conversa sobre fé com céticos e universitários.

“O coração tem razões que a razão desconhece.”
Blaise Pascal · Pensamentos (Pensées), fragmento 423 na edição Lafuma, seção Preuves par discours
Linha do tempo
1623

Nascimento em Clermont-Ferrand

Filho de Étienne Pascal, magistrado e matemático amador.

1631

Mudança para Paris

A família se muda após a morte da mãe, cinco anos antes.

1642-1645

Invenção da Pascalina

Constrói uma das primeiras máquinas de calcular da história.

1648

Experimento do Puy-de-Dôme

Projeta o experimento e pede ao cunhado Florin Périer que o realize no topo da montanha, comprovando que a pressão atmosférica varia com a altitude.

1654

Correspondência com Fermat

Lança, com o matemático francês, as bases da teoria da probabilidade.

23 nov 1654

Noite de Fogo

Experiência religiosa intensa registrada no Memorial, guardado costurado no casaco.

1656-1657

Cartas Provinciais

Publica, sob pseudônimo, dezoito cartas em defesa de um amigo jansenista.

1662

Morte em Paris

Morre aos 39 anos após anos de saúde frágil; deixa inacabados os fragmentos dos Pensamentos.

Obras e marcos

Pascalina

1642-1645

Máquina de calcular mecânica construída para ajudar o pai, cobrador de impostos, a somar valores com mais rapidez.

Experimento do Puy-de-Dôme

1648

Pascal projetou o experimento e pediu ao cunhado Florin Périer que o realizasse no topo da montanha, comprovando que a pressão atmosférica varia com a altitude e confirmando a existência do vácuo.

Correspondência com Fermat

1654

Troca de cartas sobre jogos de azar que lançou as bases da teoria da probabilidade.

Memorial (Noite de Fogo)

23 nov 1654

Nota pessoal escrita após uma experiência religiosa intensa, costurada no forro do casaco e carregada até a morte.

Cartas Provinciais

1656-1657

Dezoito cartas satíricas em defesa de um amigo jansenista, criticando a casuística de parte dos jesuítas.

Pensamentos (Pensées)

1670 (póstumo)

Coletânea inacabada de fragmentos apologéticos, publicada postumamente, incluindo o argumento conhecido como aposta de Pascal.

Contribuições
1

Fundamentos da teoria da probabilidade

A correspondência com Pierre de Fermat sobre jogos de azar, em 1654, lançou as bases matemáticas da teoria da probabilidade, hoje usada da estatística às ciências atuariais.

2

A Pascalina e a história da computação

A máquina de calcular que construiu ainda jovem para ajudar o pai é considerada um dos primeiros passos rumo aos computadores mecânicos.

3

Física da pressão atmosférica

O experimento do Puy-de-Dôme, projetado por Pascal e executado por seu cunhado Florin Périer em 1648, comprovou que a pressão do ar varia com a altitude, confirmando a existência do vácuo e ajudando a fundar a hidrostática moderna.

4

Cartas Provinciais

Ao criticar a casuística de parte dos jesuítas em defesa de um amigo jansenista, popularizou uma prosa filosófica irônica que influenciou gerações de escritores franceses.

5

Pensamentos e a apologética moderna

Tornou-se referência para quem defende a fé diante do ceticismo, com argumentos como a aposta de Pascal e a descrição da grandeza e miséria humanas.

Legado missionário

A aposta de Pascal, o argumento de que é racional viver como se Deus existisse, continua sendo usada por evangelistas e apologistas em conversas com céticos e agnósticos.

Pensamentos é hoje uma porta de entrada comum para universitários e intelectuais que se aproximam da fé cristã pela razão antes do coração.

Sua descrição da miséria humana sem o Criador ajuda missionários a explicar o vazio espiritual em culturas marcadas pelo consumismo e pelo cientificismo.

O exemplo de um cientista de primeira grandeza convertido de coração inteiro inspira até hoje cristãos das ciências exatas a unir fé e vocação intelectual.

Outras pessoas