Quem nunca herdou um cargo, uma empresa familiar ou uma posição de peso e sentiu o peso de precisar estar à altura de quem veio antes? Roboão herdou o trono mais próspero que Israel já teve, o de Salomão, e teve a chance de escolher que tipo de rei seria. A decisão que tomou em poucos dias definiu o resto da história do povo de Deus.
Filho de Salomão com Naamá, uma amonita, Roboão subiu ao trono aos 41 anos (1 Reis 14:21). Logo no início do reinado, o povo foi a Siquém pedir alívio: o governo de Salomão fora glorioso, mas pesado em impostos e trabalho forçado. Pediram um jugo mais leve.
Roboão pediu três dias para responder. Primeiro consultou os anciãos, que haviam servido seu pai: sirva o povo hoje, disseram, e ele o servirá para sempre. Depois consultou os jovens que cresceram com ele, e eles aconselharam o oposto: mostre força.
Roboão escolheu a resposta dos jovens. Disse ao povo que seu pai o castigara com chicotes, mas ele o castigaria com escorpiões (1 Reis 12:11). O povo se revoltou na hora, e dez das doze tribos abandonaram a casa de Davi.
Restaram a Roboão apenas Judá e Benjamim. Ele reuniu um exército para retomar Israel à força, mas o profeta Semaías o deteve: a divisão vinha do próprio Senhor (1 Reis 12:24). Anos depois, já seguro no trono, ele e todo o Judá abandonaram a lei do Senhor (2 Crônicas 12:1). A resposta veio pelas mãos do faraó egípcio Sisaque, que invadiu e saqueou Jerusalém.
Diante da invasão, Roboão fez algo que muda o tom da história: humilhou-se, junto com os líderes de Judá, e o Senhor conteve a destruição total (2 Crônicas 12:6-7).
A vida de Roboão não é sobre um vilão distante, é sobre qualquer pessoa na primeira grande decisão de autoridade. O conselho que escolhemos ouvir quando o poder chega às mãos, e o orgulho que insistimos em vestir mesmo depois de ver o estrago, dizem mais sobre o caráter do que qualquer discurso de posse.
