1711–1790

Pregador · Líder do avivamento metodista

Daniel Rowland

Resumo
Pregador anglicano galês, um dos líderes centrais do avivamento metodista do século XVIII ao lado de Howell Harris e William Williams. Por 55 anos pregou no mesmo púlpito, em Llangeitho, atraindo multidões e ajudando a lançar as bases do metodismo calvinista galês.
Quem foi
Biografia

Poucos pregadores sustentaram, no mesmo púlpito, por mais de cinquenta anos, multidões que chegavam a milhares de pessoas. Daniel Rowland foi um desses casos raros: um jovem clérigo do interior galês que se tornou uma das vozes centrais do avivamento que mudou o rosto espiritual do País de Gales.

Nascido por volta de 1711 em Pantybeudy, na paróquia de Nantcwnlle, Cardiganshire, era filho de um clérigo anglicano. Ordenado diácono em 1734 e presbítero em 1735, iniciou o ministério sem grande convicção espiritual, mais conhecido pela vivacidade natural que pelo zelo pastoral.

Por volta de 1735, ouvindo Griffith Jones pregar em Llandewi Brefi, Rowland foi tomado por profunda convicção de pecado. Sua pregação ganhou então uma urgência nova, insistindo tanto na santidade e no juízo de Deus que um pastor vizinho chegou a alertá-lo, dizendo que ele trovejava as maldições da lei de um jeito tão terrível que ninguém suportava ficar diante dele. Só com o tempo Rowland amadureceu para um anúncio mais equilibrado da graça em Cristo.

Em 1737 conheceu o evangelista leigo Howell Harris, e os dois uniram forças para impulsionar o avivamento metodista no País de Gales. Ao lado do hinista William Williams, ajudaram a organizar sociedades locais e, em janeiro de 1743, uma associação de reuniões regulares, sob a moderação de George Whitefield, embrião do metodismo calvinista galês.

A parceria com Harris, porém, não durou sem atrito: rivalidades pessoais e o envolvimento de Harris com Sidney Griffith, uma mulher casada a quem ele passou a atribuir dons proféticos, levaram a um rompimento entre 1750 e 1752, que dividiu o movimento por mais de uma década. Os dois se reconciliariam em 1762, por ocasião do novo avivamento de Llangeitho, retomando a cooperação até a morte de Harris, em 1773.

Como cura em Llangeitho por quase toda a vida, Rowland viu sua igreja atrair multidões vindas de várias regiões do país nos domingos de ceia. O avivamento de 1762 trouxe manifestações físicas tão intensas, os chamados “saltadores”, que críticos ingleses zombavam dos galeses; Rowland rebateu que, se os galeses eram “saltadores”, os ingleses eram “dorminhocos”. Ainda assim, mostrou-se mais comedido diante dos excessos do avivamento do que Harris ou Whitefield.

Em 1763, o bispo revogou sua licença paroquial, alegando irregularidades ligadas a pregações fora dos limites da paróquia. Os fiéis reagiram construindo-lhe uma nova capela em Llangeitho, concluída em 1764, para onde a congregação se transferiu quase inteira, consolidando ali o centro do metodismo galês.

Rowland permaneceu no mesmo lugar por 55 anos, formando dezenas de futuros pastores e influenciando conversões como a de Thomas Charles de Bala, semente do que se tornaria um impulso missionário e bíblico de alcance mundial. Morreu em Llangeitho em 16 de outubro de 1790.

“Não tenho mais nada a declarar sobre minha aceitação diante de Deus além do que sempre declarei: morro como um pobre pecador, apoiado total e inteiramente nos méritos de um Salvador crucificado.”
Daniel Rowland · Últimas palavras, citadas por J. C. Ryle em Christian Leaders of the Eighteenth Century
Linha do tempo
1711

Nascimento em Pantybeudy

Nasce na paróquia de Nantcwnlle, Cardiganshire, filho de um clérigo anglicano.

1734-1735

Ordenação anglicana

É ordenado diácono em 1734 e presbítero em 1735.

1735

Conversão sob a pregação de Griffith Jones

Ouve Griffith Jones pregar em Llandewi Brefi e passa por profunda convicção de pecado.

1737

Encontro com Howell Harris

Os dois unem esforços para impulsionar o avivamento metodista no País de Gales.

1743

Fundação da Associação Metodista Calvinista Galesa

Reuniões trimestrais passam a organizar as sociedades do avivamento sob liderança comum, com Whitefield como primeiro moderador.

1750-1752

Rompimento com Howell Harris

Rivalidades pessoais e o episódio envolvendo Sidney Griffith dividem o movimento por mais de uma década.

1762

Reconciliação com Harris e avivamento de Llangeitho

Os dois líderes retomam a cooperação em meio a um novo avivamento marcado por multidões e manifestações físicas intensas.

1763

Perda da licença paroquial

O bispo de St. David's revoga sua licença por pregações fora dos limites da paróquia.

1764

Nova capela em Llangeitho

Os fiéis erguem uma nova capela, para onde a congregação se transfere quase inteira.

1790

Morte em Llangeitho

Falece em 16 de outubro, após 55 anos de ministério no mesmo lugar.

Obras e marcos

Sermão A Voz do Redentor

1761

Um de seus sermões mais conhecidos, pregado em Llandewi Brefi com base em Apocalipse 3:20, no ano anterior ao avivamento de Llangeitho.

Tradução galesa de A Guerra Santa, de John Bunyan

1744

Verteu para o galês a alegoria de Bunyan, ampliando o acesso da literatura devocional puritana aos fiéis de língua galesa.

Tradução galesa de O Torto na Sorte, de Thomas Boston

1769

Nova tradução de uma obra puritana escocesa sobre a providência de Deus nas aflições.

Fundação da Associação Metodista Calvinista Galesa

1743

Ao lado de Howell Harris e George Whitefield, ajudou a criar a associação que reunia trimestralmente os líderes das sociedades metodistas do país.

Nova capela de Llangeitho

1764

Erguida pelos fiéis depois que Rowland perdeu a licença paroquial, tornou-se o novo centro de sua pregação.

Sermões Práticos Pregados na Nova Igreja de Llangeitho

1774

Coletânea de sermões impressos, entre os poucos textos originais de Rowland que sobreviveram, mais tarde traduzida para o inglês.

Contribuições
1

Estabilidade em meio ao avivamento

Ao contrário de evangelistas itinerantes como Whitefield e Wesley, Rowland permaneceu por décadas no mesmo púlpito, dando ao avivamento galês uma base local duradoura.

2

Organização do metodismo calvinista galês

Ajudou a estruturar sociedades e associações regulares que, com o tempo, deram origem à Igreja Presbiteriana do País de Gales.

3

Tradução de literatura devocional

Verteu para o galês obras puritanas de Bunyan e Boston, ampliando o alcance da leitura espiritual entre os fiéis de língua galesa.

4

Formação de novos pregadores

Dezenas de futuros ministros o tinham como referência espiritual, multiplicando sua influência muito além de Llangeitho.

Legado missionário

Sua pregação e as sociedades que ajudou a organizar formaram o solo do qual nasceria a Igreja Presbiteriana do País de Gales, que décadas depois enviaria missionários à região de Khasi Hills, no nordeste da Índia.

Sua influência espiritual chegou a Thomas Charles de Bala, convertido ouvindo-o pregar em 1773, cuja busca por Bíblias em galês ajudaria a inspirar a fundação da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.

O modelo de sociedades locais ligadas por uma associação comum, que ajudou a criar, tornou-se referência para redes de igrejas e missões que vieram depois no mundo de língua galesa.

Sua insistência em pregar Cristo crucificado como centro da fé, e não apenas a moral, marcou o tom evangelístico que estruturas missionárias galesas levariam a outros povos.

Outras pessoas