1927–1956

Missionário · Mártir

Ed McCully

Resumo
Advogado em formação que abandonou uma carreira promissora nos Estados Unidos para servir como missionário entre os quéchuas no Equador. Integrou a Operação Auca e foi um dos cinco missionários mortos a lançadas pelo povo huaorani, em 1956.
Quem foi
Biografia

Ed McCully tinha um futuro brilhante à sua frente: bom orador, atleta e presidente da turma em Wheaton College, encaminhava-se para uma carreira de advogado nos Estados Unidos. Poucos esperariam que um dia trocasse tudo isso pela selva amazônica.

Nascido em Des Moines, Iowa, em 1927, cresceu em Milwaukee, filho de um executivo de padaria que também era líder de igreja entre os Irmãos de Plymouth. Formou-se em administração e economia em Wheaton, onde fez amizade com outro estudante, Jim Elliot.

Matriculado na Faculdade de Direito da Universidade Marquette, parecia destinado à advocacia. Trabalhando como recepcionista noturno de hotel, porém, releu o livro de Neemias e trocou cartas com Elliot, que já se preparava para ir ao Equador.

Na véspera do segundo ano de direito, em 22 de setembro de 1950, anunciou que não voltaria às aulas. Escreveu a Elliot que tinha apenas um desejo: viver de abandono total ao Senhor, colocando nisso toda a sua energia.

Casou-se com Marilou Hobolth em 29 de junho de 1951 e, no mesmo período, estudou noções de odontologia e obstetrícia na School of Missionary Medicine, em Los Angeles, para suprir necessidades básicas no campo missionário. Em dezembro de 1952, embarcou com a esposa e o filho pequeno rumo ao Equador.

A família serviu entre os quéchuas nas estações de Shandia e Arajuno, na floresta amazônica equatoriana. Ali enfrentou isolamento, doenças tropicais e a reconstrução da estação de Shandia depois de uma enchente, provas comuns à rotina missionária daquele tempo.

Em 1955, uniu-se a Jim Elliot, Nate Saint, Pete Fleming e Roger Youderian num plano de contato pacífico com os huaorani, povo isolado e temido pela violência. O grupo levava pistolas, mas tinha combinado não usá-las para matar, mesmo sob ataque. A operação seguiu em sigilo e sem aval formal das agências que apoiavam os missionários, que já sabiam do risco: dez anos antes, os huaorani haviam matado outros missionários que tentaram se aproximar. Essa decisão de arriscar a vida, deixando esposas e filhos pequenos, ainda hoje divide opiniões entre quem reconstrói o episódio.

Em 8 de janeiro de 1956, McCully e os outros quatro foram mortos a lançadas às margens do rio Curaray. Marilou, grávida do terceiro filho do casal, ficou viúva com dois meninos pequenos. A história do grupo, contada por Elisabeth Elliot em Through Gates of Splendor, segue despertando em jovens de todo o mundo a disposição de deixar tudo por povos que ainda não ouviram falar de Cristo.

“Tenho agora um único desejo: viver uma vida de abandono total ao Senhor, colocando nisso toda a minha energia.”
Ed McCully · Carta a Jim Elliot, 22 de setembro de 1950 (citada em Through Gates of Splendor, de Elisabeth Elliot)
Linha do tempo
1927

Nascimento em Des Moines, Iowa

Cresceu em Milwaukee, filho de um executivo de padaria e líder de igreja entre os Irmãos de Plymouth.

1945

Ingresso em Wheaton College

Ali conheceu Jim Elliot, amizade que marcaria o rumo de sua vida.

1949

Formatura e início da Faculdade de Direito

Matriculou-se na Universidade Marquette com planos de seguir carreira de advogado.

22 de setembro de 1950

Abandono do direito

Decidiu-se pelas missões após reler o livro de Neemias e trocar cartas com Jim Elliot.

1951

Casamento com Marilou Hobolth

Casaram-se em 29 de junho; ela seria sua companheira na obra no Equador.

1952

Embarque para o Equador

Partiu com a esposa e o filho Stevie para servir entre os quéchuas na Amazônia equatoriana.

1955

Início da Operação Auca

Uniu-se a Jim Elliot, Nate Saint, Pete Fleming e Roger Youderian no plano de contato com os huaorani.

8 de janeiro de 1956

Martírio no rio Curaray

Foi morto a lançadas ao lado dos outros quatro missionários, durante a tentativa de contato pacífico.

1957

Publicação de Through Gates of Splendor

O livro de Elisabeth Elliot tornou mundialmente conhecida a história dos cinco missionários.

Obras e marcos

Renúncia à carreira jurídica

1950

Na véspera do segundo ano na Faculdade de Direito de Marquette, decidiu abandonar os estudos para se dedicar às missões.

Formação em medicina missionária

1951-1952

Estudou noções de odontologia, obstetrícia e medicina tropical na School of Missionary Medicine, em Los Angeles, para servir no campo.

Radiodifusão evangelística

1951

Ao lado de Jim Elliot, apresentou por um período um programa semanal de rádio com mensagens evangelísticas.

Partida para o Equador

1952

Embarcou com a esposa Marilou e o filho pequeno rumo ao Equador, para servir entre os quéchuas na Amazônia.

Estações de Shandia e Arajuno

1953-1955

Ajudou a reconstruir e manter a estação de Shandia, entre os quéchuas, depois de uma enchente, e depois se mudou para a estação mais isolada de Arajuno, na fronteira com o território huaorani.

Operação Auca

1955-1956

Integrou, com outros quatro missionários, o plano de contato pacífico com o povo huaorani, até então isolado.

Contribuições
1

Símbolo do sacrifício missionário

Sua morte, ao lado de Jim Elliot, Nate Saint, Pete Fleming e Roger Youderian, tornou-se um dos episódios mais lembrados da história missionária evangélica do século 20.

2

Impulso a uma nova geração de missionários

O relato de sua vida e morte, divulgado por Elisabeth Elliot, inspirou milhares de jovens ao redor do mundo a se dedicarem às missões transculturais.

3

Ponte para o povo huaorani

O contato iniciado por ele e seus companheiros abriu caminho para que, anos depois, outros missionários alcançassem os huaorani com o evangelho.

4

Testemunho sobre o custo do discipulado

Sua decisão de abandonar uma carreira promissora no direito tornou-se um exemplo citado em pregações e livros sobre entrega total a Deus.

Legado missionário

Seu nome integra o grupo lembrado como os cinco mártires do Equador, referência ainda hoje em igrejas e movimentos de missões para povos não alcançados.

A obra entre os huaorani, à qual ele deu a vida, teve continuidade anos depois por meio de Rachel Saint e Elisabeth Elliot, resultando em conversões entre o próprio povo que os matou.

Sua história segue usada em conferências e materiais de mobilização missionária para despertar vocações ao trabalho entre povos ainda sem acesso ao evangelho.

O princípio de entrega total a Deus, mesmo sob risco de vida, que expressou em cartas, continua citado como inspiração para missionários em contextos de risco.

Outras pessoas