Frederick Fyvie Bruce nasceu em 12 de outubro de 1910, em Elgin, na Escócia, filho de um pregador itinerante dos Irmãos de Plymouth. Cresceu estudando grego e latim desde os onze anos de idade, numa casa onde a Bíblia e os livros clássicos dividiam a mesma estante.
Formou-se em Clássicas na Universidade de Aberdeen, depois estudou em Cambridge e na Universidade de Viena, onde aprofundou filologia indo-europeia. Nunca fez um doutorado formal, o que tornaria sua futura carreira acadêmica ainda mais incomum.
Em 1936 casou-se com Betty Davidson, também de família dos Irmãos de Plymouth. Em 1943 publicou seu primeiro livro, “The New Testament Documents: Are They Reliable?”, que se tornaria um clássico da apologética evangélica no século 20.
Em 1947 tornou-se o primeiro chefe do Departamento de História e Literatura Bíblica da Universidade de Sheffield. Seu comentário sobre Atos, de 1951, foi o primeiro trabalho de um erudito evangélico em uma geração a receber atenção séria da academia mais ampla.
Em 1959 assumiu a cátedra Rylands de Crítica e Exegese Bíblica na Universidade de Manchester, cargo que ocupou até se aposentar em 1978. Escreveu quase 60 livros e milhares de artigos e resenhas, entre eles seu comentário sobre Paulo, considerado sua obra mais madura.
Bruce recusava rótulos fáceis: não adotava a defesa estrita da inerrância verbal cobrada por parte do seu próprio meio evangélico, o que lhe rendeu desconfiança de alguns setores mais conservadores. Preferia se descrever como historiador, não como teólogo, e insistia que a fé cristã não precisava temer o método crítico.
Ajudou a consolidar a Tyndale House, em Cambridge, como centro de pesquisa bíblica evangélica, e editou coleções que formaram gerações de estudiosos. Morreu em 11 de setembro de 1990, em Buxton, na Inglaterra, um mês antes de completar 80 anos.
Seu maior legado foi mostrar, com paciência acadêmica, que a fé cristã resiste ao escrutínio histórico mais rigoroso. Até hoje, seus livros continuam equipando cristãos que precisam defender o evangelho diante da dúvida com honestidade intelectual.