1871–1936

Cronista do avivamento · Evangelista itinerante

Frank Bartleman

Resumo
Evangelista holiness e cronista do avivamento da Rua Azusa. Seu diário e suas reportagens na imprensa religiosa registraram o nascimento do movimento pentecostal em Los Angeles, entre 1906 e 1909, e ajudaram a espalhar a notícia do avivamento pelo mundo.
Quem foi
Biografia

Frank Bartleman nasceu em 14 de dezembro de 1871, numa fazenda perto de Carversville, na Pensilvânia. Filho de um imigrante católico alemão e de uma mãe quaker de origem inglesa e galesa, cresceu doente e pobre, trabalhando na fazenda dos pais desde cedo. Aos dezessete anos, mudou-se para a Filadélfia em busca de outro caminho.

Converteu-se em 15 de outubro de 1893, na Grace Baptist Church de Filadélfia. Seu pastor, Russell Conwell, fundador da Temple University, ofereceu-lhe uma bolsa para estudar na universidade, mas Bartleman recusou, dizendo que escolhera as ruas e os cortiços como seu púlpito.

Em fevereiro de 1897 entrou para o Exército de Salvação, mas deixou a corporação meses depois por não ver fruto no trabalho. Nos anos seguintes, passou por missões urbanas e igrejas holiness sem nunca se fixar por muito tempo em um só lugar; essa inquietação marcaria os trinta e nove anos seguintes de ministério itinerante, até sua morte em 1936. A vida errante cobrava um preço: numa segunda viagem de pregação pelo Sul dos Estados Unidos, em 1899, chegou a ficar tão desanimado que chegou a pensar em tirar a própria vida.

Em 1900 casou-se com Anna Ladd, com quem teve quatro filhos; a primeira, Esther, morreu ainda recém-nascida. A família viveu anos de pobreza severa na Califórnia, um custo humano raramente lembrado ao lado da fama do avivamento.

Em 1906, Bartleman passou a frequentar as reuniões de oração lideradas por William J. Seymour, prenúncio do avivamento da Rua Azusa. Manteve um diário detalhado e enviou cartas regulares a periódicos holiness espalhados pelos Estados Unidos e pela Europa, tornando-se o cronista mais lido dos eventos.

Seus relatos registraram algo raro para a época: brancos e negros orando juntos sem distinção, num templo simples da cidade. Bartleman escreveu que ali a linha da cor fora lavada no sangue, um testemunho de unidade racial que a historiografia pentecostal preserva até hoje.

Sua franqueza também tinha custo: publicou com riqueza de detalhes as disputas doutrinárias entre líderes do avivamento, como o desacordo entre Seymour e William Durham sobre a chamada obra consumada, o que alguns contemporâneos consideraram indiscrição de jornalista. Sua pena não poupava glórias nem desavenças, deixando um registro mais cru do que polido.

Nos anos seguintes, viajou como missionário sustentado apenas pela fé: entre 1910 e 1911 deu a volta ao mundo, incluindo passagem pela Ásia, deixando a família em Los Angeles; entre 1912 e 1914 fez uma segunda excursão, desta vez pela Europa, já acompanhado da família, nos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Nos anos finais de vida, revelou desilusão com os rumos do movimento pentecostal organizado, lamentando que as verdades que haviam dado origem ao avivamento passassem a ser vistas como radicais demais até dentro das próprias igrejas pentecostais.

Escreveu os livros que consolidariam sua obra, entre eles How Pentecost Came to Los Angeles, de 1925. Morreu em 23 de agosto de 1936, em Los Angeles, aos 64 anos, e foi sepultado no Valhalla Memorial Park, em Burbank, Califórnia.

“A linha da cor foi lavada no sangue.”
Frank Bartleman · How Pentecost Came to Los Angeles (1925)
Linha do tempo
1871

Nascimento na Pensilvânia

Nasce numa fazenda perto de Carversville, filho de imigrante católico alemão e de mãe quaker.

1893

Conversão em Filadélfia

Converte-se na Grace Baptist Church e recusa bolsa de estudos para dedicar-se ao trabalho evangelístico nas ruas.

1897

Ingresso no Exército de Salvação

Começa a carreira de evangelista itinerante que duraria quase quatro décadas, embora deixe a corporação meses depois.

1899

Crise de desânimo

Numa segunda viagem de pregação pelo Sul dos Estados Unidos, fica tão despondente que chega a pensar em tirar a própria vida.

1900

Casamento com Anna Ladd

O casal tem quatro filhos; a primeira, Esther, morre ainda recém-nascida.

1906

Avivamento da Rua Azusa

Passa a frequentar as reuniões de oração lideradas por William J. Seymour e a registrar os eventos em diário e cartas à imprensa holiness.

1910-1911

Viagem missionária ao redor do mundo

Deixa a família em Los Angeles e viaja como missionário sustentado pela fé, passando também pela Ásia.

1912-1914

Viagem missionária pela Europa

Faz uma segunda excursão evangelística, desta vez pela Europa e já com a família, antes da Primeira Guerra Mundial.

1925

Publicação de How Pentecost Came to Los Angeles

Reúne diário e reportagens no livro que se tornaria a principal fonte histórica sobre Azusa Street.

1936

Morte em Los Angeles

Falece aos 64 anos e é sepultado no Valhalla Memorial Park, em Burbank, Califórnia.

Obras e marcos

My Story: The Latter Rain

1909

Primeiro livro autobiográfico, relatando sua busca pessoal pelo batismo no Espírito Santo nos anos que antecederam o avivamento da Rua Azusa.

Reportagens sobre o avivamento da Rua Azusa

1906-1909

Diário pessoal e cartas enviadas a periódicos holiness como Way of Faith e Word and Work, formando o registro mais completo dos eventos de 1906 a 1909 em Los Angeles.

Viagem missionária ao redor do mundo

1910-1911

Excursão evangelística ao redor do mundo, incluindo passagem pela Ásia, deixando a família em Los Angeles.

From Plow to Pulpit

1924

Autobiografia que narra sua trajetória da lavoura da infância ao púlpito itinerante.

Two Years' Mission Work in Europe

1924

Relato do período missionário na Europa entre 1912 e 1914, já acompanhado da família, publicado às vésperas da guerra que mudaria o continente.

How Pentecost Came to Los Angeles

1925

Sua obra mais conhecida, reunindo o diário e as reportagens que documentam o nascimento do movimento pentecostal moderno; reeditada depois como Azusa Street.

Around the World by Faith

1925

Relato de suas viagens evangelísticas internacionais, sustentadas apenas pela fé, sem salário fixo.

Contribuições
1

Registro histórico do avivamento

Seu diário e suas reportagens são hoje considerados a fonte mais completa e confiável sobre o que de fato aconteceu na Rua Azusa entre 1906 e 1909.

2

Difusão internacional pela imprensa

Ao enviar cartas regulares a periódicos holiness nos Estados Unidos e na Europa, ajudou a espalhar a notícia do avivamento muito além de Los Angeles.

3

Testemunho de unidade racial

Documentou brancos e negros adorando juntos na Rua Azusa, um retrato de reconciliação racial raro para o início do século vinte nos Estados Unidos.

4

Franqueza como jornalista religioso

Não escondeu as disputas doutrinárias entre líderes do avivamento, deixando um registro mais honesto, ainda que isso lhe rendesse críticas de contemporâneos.

Legado missionário

Seus escritos seguem sendo fonte primária obrigatória para historiadores do movimento pentecostal e carismático, hoje presente em centenas de milhões de cristãos ao redor do mundo.

As notícias que ele espalhou pela imprensa holiness ajudaram a levar o relato de Azusa a missionários que depois plantariam igrejas pentecostais em outros continentes.

Suas próprias viagens ao redor do mundo e pela Europa o tornaram, além de cronista, um missionário itinerante sustentado pela fé.

O relato da unidade racial em Azusa segue citado como referência de reconciliação em contextos de missão transcultural até hoje.

Outras pessoas