Tomé

Apóstolo · Testemunha da ressurreição

Tomé

PeríodoSéculo I d.C.

Richard Mortel, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons · fonte

Resumo
Um dos doze apóstolos de Jesus, lembrado por exigir provas físicas da ressurreição antes de crer. Sua confissão diante do Cristo ressuscitado, "Senhor meu e Deus meu", é a declaração de fé mais alta de todo o Evangelho de João.
Quem foi Tomé
Biografia

Quase todo mundo já viveu aquele momento em que uma notícia boa demais parecia mentira. Um diagnóstico revertido, uma reconciliação inesperada, alguém que voltou de onde não se esperava voltar. A reação instintiva não é alegria, é desconfiança. Foi assim com Tomé.

Ele era um dos doze apóstolos, chamado também de Dídimo, palavra grega que significa gêmeo (João 11:16; 21:2). Antes da grande dúvida, porém, Tomé já havia mostrado coragem: quando Jesus decidiu voltar à Judeia, região onde haviam tentado apedrejá-lo, foi Tomé quem disse aos outros: “Vamos também, para morrer com ele” (João 11:16).

Semanas depois, no discurso de despedida na véspera da cruz, foi também Tomé quem fez a pergunta sincera que talvez todos tivessem: “Senhor, não sabemos para onde vais, como então podemos saber o caminho?” (João 14:5). A resposta de Jesus, “eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6), existe porque Tomé perguntou.

Depois veio a cruz, e o grupo se dispersou com medo. Quando os outros discípulos disseram a Tomé que tinham visto o Senhor vivo, ele não estava presente naquela noite (João 20:24). E respondeu com a frase que carregaria seu nome para sempre: “se eu não vir as marcas dos pregos… não crerei” (João 20:25).

Uma semana depois, Jesus voltou, entrou apesar das portas fechadas e foi direto a Tomé: “coloque o dedo aqui, veja as minhas mãos, pare de duvidar e creia” (João 20:27). Não houve repreensão amarga, houve um convite direto ao toque.

A resposta de Tomé é a confissão mais alta de todo o Evangelho de João: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20:28). Jesus completou: “bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29), abrindo espaço para todos os que viriam depois, inclusive quem lê esta página hoje.

Tomé não ficou marcado como o apóstolo fraco. Ficou marcado como aquele a quem Jesus se deu ao trabalho de convencer, um por um, com paciência. Deus não trata a dúvida honesta como pecado imperdoável, ele se aproxima dela e mostra as mãos.

Versículos marcantes

Tomé lhe disse: Senhor meu e Deus meu!

João 20:28

Então, Jesus lhe disse: Porque me viu, você creu? Bem-aventurados os que não viram e creram.

João 20:29

Então, Tomé, chamado Dídimo, disse aos outros discípulos: Vamos também para morrer com ele.

João 11:16

Visões, profecias e feitos

Vamos também, para morrer com ele

Quando Jesus decidiu voltar à Judeia, região onde haviam tentado apedrejá-lo, para ressuscitar Lázaro, foi Tomé quem encorajou os outros discípulos a segui-lo, mesmo sob risco de morte.

João 11:7-16

Não sabemos para onde vais

No discurso de despedida, Tomé fez a pergunta sincera que levou Jesus a declarar: eu sou o caminho, a verdade e a vida.

João 14:5-6

A dúvida diante da ressurreição

Ausente na primeira aparição de Jesus ressuscitado, Tomé declarou que só creria se visse e tocasse as marcas dos pregos nas mãos do Senhor.

João 20:24-25

Senhor meu e Deus meu

Uma semana depois, Jesus voltou e convidou Tomé a tocar suas mãos e seu lado; Tomé respondeu com a mais alta confissão de fé de todo o Evangelho de João.

João 20:26-28

Testemunha da pesca miraculosa

Tomé estava entre os discípulos que voltaram à pesca na Galileia e viram mais uma aparição de Jesus ressuscitado, ao lado de Pedro e outros.

João 21:1-14

Contado entre os Doze apóstolos

Tomé aparece nas listas dos apóstolos escolhidos por Jesus e entre os que esperaram a vinda do Espírito Santo em Jerusalém.

Mateus 10:2-4; Marcos 3:16-19; Lucas 6:14-16; Atos 1:13
Linha do tempo
Século I d.C.

Chamado por Jesus para ser um dos Doze apóstolos

~29-30 d.C.

Diz aos discípulos "vamos também, para morrer com ele"

Ao decidirem voltar à Judeia para ressuscitar Lázaro (João 11:16)

~30 d.C.

Pergunta a Jesus sobre o caminho, na véspera da crucificação

Recebe a resposta: eu sou o caminho, a verdade e a vida (João 14:5-6)

~30 d.C.

Está ausente quando Jesus ressuscitado aparece aos discípulos pela primeira vez

Declara que só crerá se vir e tocar as marcas dos pregos (João 20:24-25)

~30 d.C.

Encontra o Cristo ressuscitado uma semana depois

Confessa: Senhor meu e Deus meu (João 20:26-28)

~30 d.C.

Volta à pesca na Galileia e vê nova aparição de Jesus

João 21:1-14

~30 d.C.

Reunido com os demais apóstolos em Jerusalém, à espera do Espírito Santo

Atos 1:13

Tradição posterior

Lembrado pela tradição da igreja como missionário na Pérsia e na Índia

Não registrado nas Escrituras canônicas

Retrato

Coragem prática: foi o primeiro a propor seguir Jesus a um lugar de risco de morte (João 11:16).

Honestidade radical: não fingiu uma fé que não tinha, disse abertamente que precisava ver para crer (João 20:25).

Disposição para perguntar o óbvio: sua pergunta sincera sobre o caminho abriu espaço para uma das maiores declarações de Jesus (João 14:5-6).

Capacidade de se render diante da evidência: ao ver Jesus, não insistiu na dúvida, reconheceu-o de imediato como Senhor e Deus (João 20:28).

Ceticismo que exigiu prova física, mesmo depois de ouvir o testemunho direto de companheiros de confiança (João 20:25).

Ausência no momento decisivo: não estava com o grupo quando Jesus apareceu pela primeira vez, isolando-se justamente no auge do luto (João 20:24).

Lições e legado
Lições de vida

Duvidar abertamente diante de Deus é diferente de abandonar a fé; Tomé trouxe sua dúvida para perto de Jesus, não a levou para longe dele.

A fé que nasce da experiência pessoal com Cristo é real, mas a bem-aventurança de Jesus aponta para algo maior: crer sem ver.

Perguntas sinceras sobre a fé não afastam Deus, costumam preceder as respostas mais importantes que já recebemos.

Coragem e medo podem conviver na mesma pessoa: quem disse "vamos morrer com ele" foi o mesmo que disse "não crerei".

Legado missionário

A tradição da igreja atribui a Tomé a fundação de comunidades cristãs na Pérsia (atual Irã) e no sul da Índia, onde os chamados cristãos de São Tomé existem até hoje.

Sua confissão "Senhor meu e Deus meu" se tornou uma das declarações de fé mais repetidas por cristãos ao redor do mundo, em qualquer idioma.

A bem-aventurança de Jesus a Tomé (João 20:29) sustenta toda missão transcultural: bilhões de pessoas hoje creem sem nunca terem visto Jesus fisicamente, exatamente como ele previu.

Sua honestidade dá permissão para povos e culturas onde a fé cristã ainda é nova fazerem perguntas difíceis antes de crer, sem serem vistos como menos espirituais por isso.

Família e contexto
Família e relações
Apelido Dídimo, "o Gêmeo" em grego (João 11:16)
Colega apóstolo Pedro (João 21:2)
Colega apóstolo Tiago e João, filhos de Zebedeu (João 21:2)
Colega apóstolo Natanael (João 21:2)
Amigos próximos Lázaro, Marta e Maria, de Betânia (João 11)
Locais relacionados

Betânia

Onde Jesus ressuscitou Lázaro e Tomé propôs seguir com ele até a morte (região da atual Cisjordânia)

Judeia

Região de risco onde Tomé disse estar disposto a morrer com Jesus (atual Israel/Cisjordânia)

Jerusalém

Onde Jesus ressuscitado apareceu duas vezes aos discípulos, incluindo a Tomé (atual Israel)

Galileia

Onde Tomé voltou a pescar e testemunhou outra aparição de Jesus (atual Israel)

Onde encontrar na Bíblia
Onde encontrar na Bíblia

Tomé aparece nas quatro listas dos doze apóstolos (Mateus 10:2-4; Marcos 3:16-19; Lucas 6:14-16; Atos 1:13), mas é o Evangelho de João quem revela sua personalidade, em João 11:16, 14:5-6 e 20:24-29, além de sua presença na pesca de João 21:1-14.

Outras pessoas