Quase todo mundo já viveu aquele momento em que uma notícia boa demais parecia mentira. Um diagnóstico revertido, uma reconciliação inesperada, alguém que voltou de onde não se esperava voltar. A reação instintiva não é alegria, é desconfiança. Foi assim com Tomé.
Ele era um dos doze apóstolos, chamado também de Dídimo, palavra grega que significa gêmeo (João 11:16; 21:2). Antes da grande dúvida, porém, Tomé já havia mostrado coragem: quando Jesus decidiu voltar à Judeia, região onde haviam tentado apedrejá-lo, foi Tomé quem disse aos outros: “Vamos também, para morrer com ele” (João 11:16).
Semanas depois, no discurso de despedida na véspera da cruz, foi também Tomé quem fez a pergunta sincera que talvez todos tivessem: “Senhor, não sabemos para onde vais, como então podemos saber o caminho?” (João 14:5). A resposta de Jesus, “eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6), existe porque Tomé perguntou.
Depois veio a cruz, e o grupo se dispersou com medo. Quando os outros discípulos disseram a Tomé que tinham visto o Senhor vivo, ele não estava presente naquela noite (João 20:24). E respondeu com a frase que carregaria seu nome para sempre: “se eu não vir as marcas dos pregos… não crerei” (João 20:25).
Uma semana depois, Jesus voltou, entrou apesar das portas fechadas e foi direto a Tomé: “coloque o dedo aqui, veja as minhas mãos, pare de duvidar e creia” (João 20:27). Não houve repreensão amarga, houve um convite direto ao toque.
A resposta de Tomé é a confissão mais alta de todo o Evangelho de João: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20:28). Jesus completou: “bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29), abrindo espaço para todos os que viriam depois, inclusive quem lê esta página hoje.
Tomé não ficou marcado como o apóstolo fraco. Ficou marcado como aquele a quem Jesus se deu ao trabalho de convencer, um por um, com paciência. Deus não trata a dúvida honesta como pecado imperdoável, ele se aproxima dela e mostra as mãos.
