1628–1688

Escritor · Pregador puritano

John Bunyan

Resumo
Escritor e pregador puritano inglês, autor de O Peregrino, a alegoria cristã de maior circulação e influência da história. Escreveu boa parte da obra na prisão de Bedford, onde passou anos por se recusar a deixar de pregar sem licença.
Quem foi
Biografia

Um homem simples, filho de um funileiro, quase sem instrução formal, torna-se o autor do livro mais lido do mundo cristão depois da Bíblia. A vida de John Bunyan mostra como Deus pode usar um vaso comum para deixar marca profunda na fé de gerações inteiras.

Nascido perto de Bedford, na Inglaterra, e batizado em 30 de novembro de 1628, Bunyan aprendeu o ofício do pai e, aos dezesseis anos, serviu no exército parlamentar. Por sua própria conta em Graça Abundante, os anos de juventude foram marcados por praguejar, jogos e uma consciência inquieta.

Casou-se por volta de 1649 com uma jovem cujo único dote foram dois livros devocionais deixados pelo pai dela. A leitura desses livros, somada à pregação que ouvia em Bedford, deu início a uma longa crise espiritual, descrita depois com riqueza de detalhes em sua autobiografia.

Por volta de 1653, Bunyan uniu-se à igreja separatista de Bedford e logo passou a pregar, atraindo multidões com sua linguagem simples e vívida. Depois da Restauração de Carlos II, pregar fora da Igreja Anglicana virou crime, e em 1660 ele foi preso por se recusar a parar.

Passou doze anos na prisão do condado, sustentando a família com a venda de cordões de sapato feitos atrás das grades; sua filha mais velha, cega de nascença, o visitava com frequência trazendo comida. Foi solto em 1672 e tornou-se pastor da igreja de Bedford.

Em 1674, um episódio abalou sua reputação: ao permitir que a jovem Agnes Beaumont, da igreja de Bedford, montasse na garupa de seu cavalo a caminho de uma pregação, viu o pai dela, contrário à participação da filha nos cultos, morrer subitamente pouco depois. Espalharam-se rumores de envenenamento e de um caso entre os dois; um júri concluiu que a morte fora natural e ambos foram isentados, mas Bunyan precisou se defender das insinuações mesmo em edições posteriores de sua autobiografia.

Uma nova e breve prisão, entre 1676 e 1677, lhe deu tempo para concluir O Peregrino, publicado em 1678. O livro narra a jornada do personagem Cristão rumo à Cidade Celestial, numa alegoria que qualquer leitor comum conseguia entender e sentir como própria.

Bunyan também escreveu tratados polêmicos contra grupos como os quacres, revelando a aspereza teológica comum ao seu tempo e às disputas entre dissidentes ingleses. Morreu em Londres em 1688, após pegar febre numa viagem a cavalo debaixo de chuva, e foi sepultado em Bunhill Fields.

Sua história lembra que a prisão pode ser também um púlpito: das grades de Bedford saiu um livro que atravessou línguas, continentes e séculos, conduzindo peregrinos comuns a enxergar a própria caminhada rumo à cidade que Deus preparou.

“Um vazamento afunda um navio, e um pecado destrói um pecador.”
John Bunyan · O Peregrino, Parte II
Linha do tempo
1628

Nascimento e batismo

Batizado em 30 de novembro, em Elstow, perto de Bedford.

1644

Alistamento no exército parlamentar

Serviu durante a Guerra Civil Inglesa aos dezesseis anos.

1649

Primeiro casamento

A esposa trouxe como dote apenas dois livros devocionais.

1653

Ingresso na igreja separatista de Bedford

Início de sua trajetória como pregador leigo.

1660

Primeira prisão

Preso por pregar sem licença após a Restauração de Carlos II.

1666

Publicação de Graça Abundante

Autobiografia espiritual escrita na prisão.

1672

Libertação e pastorado em Bedford

Solto sob a Declaração de Indulgência de Carlos II.

1674

Episódio com Agnes Beaumont

Rumores de caso amoroso e acusação de envenenamento envolvendo uma jovem da igreja de Bedford; um júri concluiu morte natural e isentou ambos, mas o episódio manchou temporariamente sua reputação.

1678

Publicação de O Peregrino

Concluído durante uma segunda e breve prisão, entre 1676 e 1677.

1688

Morte em Londres

Faleceu após febre contraída em viagem a cavalo; sepultado em Bunhill Fields.

Obras e marcos

Graça Abundante para o Maior dos Pecadores

1666

Autobiografia espiritual escrita durante o primeiro período na prisão, relato da conversão de Bunyan.

Pastorado da Igreja de Bedford

1672

Após ser solto, assumiu como pastor da congregação separatista que o havia acolhido anos antes.

O Peregrino, Parte I

1678

Alegoria da jornada de Cristão até a Cidade Celestial, concluída em nova prisão breve; tornou-se a obra de ficção cristã mais impressa da história.

A Vida e a Morte do Sr. Badman

1680

Narrativa alegórica sobre a trajetória de um homem ímpio, contraponto ao percurso do peregrino.

A Guerra Santa

1682

Alegoria sobre a batalha espiritual pela alma da cidade de Mansoul.

O Peregrino, Parte II

1684

Continuação que narra a jornada de Cristiana e dos filhos, publicada seis anos após a primeira parte.

Contribuições
1

Literatura devocional universal

O Peregrino foi traduzido em centenas de línguas e moldou a imaginação cristã popular por mais de três séculos.

2

Autobiografia espiritual

Graça Abundante consolidou o gênero da autobiografia de conversão, influenciando escritores puritanos e evangélicos posteriores.

3

Pregação leiga em linguagem simples

Demonstrou que a mensagem cristã podia ser comunicada com força por alguém sem formação acadêmica formal.

4

Testemunho de liberdade de consciência

Sua recusa em abandonar a pregação, mesmo sob prisão, tornou-se símbolo da resistência dissidente inglesa.

Legado missionário

O Peregrino tornou-se, ao lado da Bíblia, um dos livros mais traduzidos da história, acompanhando missionários a incontáveis línguas e culturas.

Sua alegoria da jornada do crente inspirou gerações de pregadores a usar histórias simples para comunicar o evangelho a povos de toda cultura.

O exemplo de perseverança na prisão encorajou cristãos perseguidos ao redor do mundo a manter a fé sob repressão.

Ajudou a consolidar a tradição da literatura evangélica popular, hoje usada por organizações de tradução bíblica para alcançar povos menos alcançados.

Outras pessoas