1796–1839

Missionário · Explorador

John Williams

Resumo
Missionário inglês conhecido como Apóstolo da Polinésia, abriu dezenas de ilhas do Pacífico Sul ao evangelho entre Taiti, Ilhas Cook e Samoa. Construiu seu próprio navio missionário e morreu mártir em Erromango, atual Vanuatu.
Quem foi
Biografia

John Williams nasceu em 29 de junho de 1796, em Tottenham, perto de Londres, filho de pais galeses. Aos catorze anos foi trabalhar como aprendiz numa loja de ferragens. Em 30 de janeiro de 1814, um sermão do pregador Timothy East na igreja Tabernacle, em Moorfields, o tocou profundamente, e ele converteu-se. Pouco depois passou a frequentar aquela mesma igreja, sob o pastorado de Matthew Wilks.

Aos vinte anos, Williams já sentia o chamado para as missões. Foi ordenado na Surrey Chapel em 3 de setembro de 1816 e, quase dois meses depois, em 29 de outubro, casou-se com Mary Chawner. Em 17 de novembro do mesmo ano, o casal embarcou para o Pacífico Sul a serviço da Sociedade Missionária de Londres, a LMS.

Chegou às Ilhas da Sociedade em 1817 e fixou sua primeira base em Raiatea. Ali desenvolveu o método que marcaria seu ministério: treinar taitianos e raiateanos convertidos e enviá-los como mestres para abrir ilhas ainda não alcançadas, antes mesmo de o próprio missionário chegar. Foi assim que, em 1821, enviou mestres raiateanos a Aitutaki.

Em 1827, ansioso por visitar ilhas fora do alcance dos navios disponíveis, construiu com as próprias mãos, em apenas quinze semanas, o Messenger of Peace, usando madeira local. Sua energia e seu gosto pela exploração por vezes preocupavam os diretores da LMS, que chegaram a se recusar a custear seus projetos de embarcação por considerarem que um missionário não deveria se envolver em empreendimentos desse tipo.

Avistou Rarotonga em 1823, deixando ali o mestre nativo Papeiha, e voltou em 1827 para estabelecer a missão de forma permanente. Em 1830, foi o primeiro a levar o evangelho a Samoa, onde o chefe Malietoa Vaiinuupo aceitou a fé cristã. Entre 1834 e 1837 esteve na Inglaterra, supervisionou a impressão do Novo Testamento em rarotonganês e publicou o livro Narrativa de Empreendimentos Missionários nos Mares do Sul.

Em 1839, já com quarenta e três anos, Williams insistiu em abrir um novo campo nas Novas Hébridas, hoje Vanuatu. Ele desembarcou em Erromango sem saber que traficantes europeus de sândalo haviam maltratado e matado moradores da ilha pouco antes, deixando a população em estado de profunda desconfiança e mágoa.

Em 20 de novembro de 1839, Williams e o missionário James Harris caminharam praia adentro e, sem perceber, ultrapassaram uma marca ritual que sinalizava o limite que estrangeiros não deviam cruzar. Guerreiros da ilha os perseguiram de volta à praia, onde os mataram a golpes de clava; os corpos foram depois ritualmente devorados, segundo os relatos históricos. A notícia de seu martírio comoveu igrejas na Inglaterra e na Austrália e impulsionou uma nova geração de voluntários para as missões no Pacífico.

O método de formar mestres nativos que Williams desenvolveu ainda inspira igrejas que enviam seus próprios membros como missionários a povos vizinhos. Em 2009, descendentes de Williams e do povo de Erromango se reencontraram em gesto de reconciliação, sinal de que o evangelho pelo qual ele morreu segue reconciliando povos até hoje.

Linha do tempo
1796

Nascimento em Tottenham

Nasce em 29 de junho, perto de Londres, filho de pais galeses.

1814

Conversão evangélica

Converte-se ainda jovem, trabalhando como aprendiz numa loja de ferragens, após ouvir um sermão do pregador Timothy East.

1816

Ordenação e casamento

É ordenado na Surrey Chapel e, semanas depois, casa-se com Mary Chawner, antes de embarcar para o Pacífico.

1817

Chegada às Ilhas da Sociedade

Estabelece sua primeira missão em Raiatea.

1821

Missão em Aitutaki

Envia mestres raiateanos para abrir a ilha de Aitutaki, nas Ilhas Cook.

1823

Chegada a Rarotonga

Avista a maior ilha das Ilhas Cook e ali deixa o mestre nativo Papeiha.

1827

Construção do Messenger of Peace

Constrói seu próprio navio missionário em quinze semanas.

1830

Evangelho chega a Samoa

É o primeiro missionário a visitar Samoa.

1839

Martírio em Erromango

Morto em 20 de novembro depois de cruzar, sem saber, um limite ritual da ilha marcada por conflitos anteriores com traficantes europeus.

Obras e marcos

Fundação da missão em Raiatea

1817

Primeira base missionária de Williams nas Ilhas da Sociedade, ponto de partida para a expansão pelo Pacífico.

Chegada a Rarotonga

1823

Avistou a ilha e ali deixou o mestre nativo Papeiha, retornando anos depois para firmar a missão de forma permanente.

Construção do Messenger of Peace

1827

Construiu com as próprias mãos, em quinze semanas, um navio de madeira local para alcançar ilhas fora do alcance de outros missionários.

Introdução do cristianismo em Samoa

1830

Levou o evangelho a Samoa e viu o chefe Malietoa Vaiinuupo aceitar a fé cristã.

Novo Testamento em rarotonganês

1834-1837

Supervisionou em Londres a impressão do Novo Testamento traduzido para a língua de Rarotonga.

Narrativa de Empreendimentos Missionários nos Mares do Sul

1837

Livro que relatou dezoito anos de missão no Pacífico e despertou o interesse britânico pela região.

Contribuições
1

Estratégia de mestres nativos

Popularizou o envio de convertidos polinésios como mestres pioneiros, método que ampliou o alcance da missão muito além do que um só missionário europeu conseguiria.

2

Literatura missionária

Seu livro sobre os Mares do Sul aproximou o público britânico da realidade do Pacífico e ajudou a financiar novas expedições.

3

Tradução bíblica

Colocou as Escrituras ao alcance dos rarotonganos em sua própria língua, um passo decisivo para a maturidade da igreja local.

4

Abertura de novos campos

Ajudou a estabelecer o cristianismo em ilhas até então sem presença protestante, de Rarotonga a Samoa.

Legado missionário

O princípio de formar e enviar crentes locais como missionários, testado por Williams no Pacífico, segue orientando movimentos missionários liderados por igrejas do Sul Global.

Sete navios da LMS batizados de John Williams, financiados por décadas de doações de crianças britânicas, mantiveram viva a causa das missões no Pacífico até o século 20.

Sua morte em Erromango tornou-se símbolo do custo da missão pioneira e despertou novas gerações de voluntários na Inglaterra e na Austrália.

Em 2009, o reencontro entre descendentes de Williams e do povo de Erromango testemunhou que o evangelho que ele levou continua reconciliando povos separados por violência histórica.

Outras pessoas