Pôncio Pilatos

Governador romano · Julgou Jesus

Pôncio Pilatos

Período~26-36 d.C.

Domínio público, via Wikimedia Commons · fonte

Resumo
Prefeito romano da Judeia entre 26 e 36 d.C., foi diante de quem os líderes religiosos levaram Jesus para ser condenado à morte. Declarou o acusado inocente por mais de uma vez, mas cedeu à pressão da multidão e autorizou a crucificação, lavando as mãos como se isso apagasse a responsabilidade.
Quem foi Pôncio Pilatos
Biografia

Quase todo mundo já sentiu a pressão de fazer o que sabe ser errado só para evitar um conflito maior. É mais fácil ceder à multidão do que sustentar sozinho uma decisão certa. A história de Pôncio Pilatos é sobre um homem que teve a verdade na mão e, mesmo assim, escolheu a paz com a multidão.

Antes de aparecer na história como o governador que condenou Jesus, os evangelhos o chamam quase sempre apenas de Pilatos: o nome completo, Pôncio Pilatos, aparece só em Lucas 3:1 e em 1 Timóteo 6:13. Ele governava a Judeia como prefeito romano, nomeado pelo imperador Tibério, cargo que exigia manter a ordem sobre um povo que Roma via com desconfiança.

Pilatos não era um administrador gentil. Lucas registra que ele chegou a misturar o sangue de galileus com os sacrifícios que ofereciam, um sinal da mão pesada com que governava (Lucas 13:1). Foi esse homem, acostumado a decidir vidas, que se viu diante de Jesus numa manhã de Páscoa.

Interrogou Jesus e não encontrou nele nenhum crime, disse isso abertamente mais de uma vez (Lucas 23:4; João 18:38). Tentou escapar da decisão mandando Jesus a Herodes, que também tinha jurisdição sobre a região (Lucas 23:6,7), e depois ofereceu trocá-lo pelo criminoso Barrabás, mas a multidão gritou por Barrabás (Mateus 27:15-21).

No meio do julgamento, sua esposa mandou avisá-lo sobre um sonho perturbador e pediu que ele não se envolvesse com esse justo (Mateus 27:19). Pilatos lavou as mãos diante do povo e se disse inocente do sangue de Jesus, mas o gesto simbólico não desfez a ordem que ele mesmo deu, a de açoitá-lo e entregá-lo à cruz (Mateus 27:24,26).

Mandou fixar na cruz um letreiro em três línguas, Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus, e, quando os sacerdotes pediram para mudar o texto, recusou: O que escrevi, escrito está (João 19:19-22). Sem perceber, o homem que temia perder o favor de César deixou registrada a acusação mais exata da história.

Pilatos sabia a verdade e mesmo assim cedeu, pressionado pelo medo de perder prestígio diante do imperador (João 19:12). Lavar as mãos não apaga a responsabilidade de quem tinha o poder de decidir. A história dele pergunta ao leitor o que fazer quando conhece o certo e sente o peso da multidão puxando para o lado errado.

Versículos marcantes

Estou inocente do sangue deste homem; a responsabilidade é de vocês.

Mateus 27:24

Que é a verdade?

João 18:38

O que escrevi, escrito está.

João 19:22

Visões, profecias e feitos

Declara Jesus inocente

Após interrogar Jesus, Pilatos afirma publicamente não encontrar nele nenhum crime que justifique a morte.

Lucas 23:4; João 18:38

Envia Jesus a Herodes

Ao saber que Jesus era da Galileia, Pilatos manda o preso a Herodes Antipas, tentando repassar a decisão para outra autoridade.

Lucas 23:6,7

Oferece trocar Jesus por Barrabás

Usando o costume de soltar um preso na Páscoa, Pilatos propõe à multidão escolher entre Jesus e o criminoso Barrabás, mas o povo pede Barrabás.

Mateus 27:15-21

Recebe o aviso da esposa

Durante o julgamento, a esposa de Pilatos manda avisá-lo para não se envolver com Jesus, por causa de um sonho perturbador que teve naquela noite.

Mateus 27:19

Lava as mãos e entrega Jesus à crucificação

Diante do tumulto crescente, Pilatos lava as mãos em público, declara-se inocente do sangue de Jesus e, mesmo assim, manda açoitá-lo e o entrega para ser crucificado.

Mateus 27:24,26

Manda escrever a inscrição da cruz

Ordena que se afixe na cruz o letreiro Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus, e recusa alterar o texto quando os sacerdotes pedem.

João 19:19-22

Autoriza a guarda no túmulo

A pedido dos chefes religiosos, que temiam um roubo do corpo, Pilatos concede uma escolta romana para vigiar e selar o sepulcro de Jesus.

Mateus 27:62-66
Linha do tempo
~26 d.C.

Nomeado prefeito da Judeia

O imperador Tibério o envia para governar a província romana da Judeia, cargo que ocupou por cerca de dez anos, segundo o historiador Josefo.

data incerta, durante seu governo

Reprime um grupo de galileus no templo

Manda matar galileus e mistura o sangue deles aos sacrifícios que ofereciam, episódio citado a Jesus (Lucas 13:1).

~30 d.C.

Julga Jesus em Jerusalém

Interroga Jesus, declara não encontrar nele culpa alguma e tenta repassar o caso a Herodes (Lucas 23:4-7).

~30 d.C.

Cede à multidão e autoriza a crucificação

Lava as mãos, solta Barrabás e entrega Jesus para ser açoitado e crucificado (Mateus 27:24-26).

~30 d.C.

Manda guardar o túmulo de Jesus

A pedido dos sacerdotes, cede uma escolta romana para vigiar e selar o sepulcro (Mateus 27:65,66).

~36 d.C.

É afastado do governo da Judeia

Segundo o historiador Josefo, é enviado a Roma para se explicar ao imperador após uma denúncia e não retorna ao cargo; a Bíblia não relata o que aconteceu depois.

Retrato

Reconheceu a inocência de Jesus e disse isso abertamente mais de uma vez, mesmo sob pressão (Lucas 23:4; João 18:38).

Tentou por vários caminhos evitar a condenação, interrogando Jesus, ouvindo o aviso da esposa e oferecendo trocá-lo por Barrabás (Mateus 27:11-19).

Governou a Judeia por cerca de dez anos, um mandato longo para um prefeito romano, sinal de competência administrativa reconhecida por Roma, segundo o historiador Josefo.

Sabia que Jesus era inocente, mas cedeu ao medo de um tumulto e à ameaça de perder o favor de César (João 19:12; Mateus 27:24).

Tentou lavar as mãos da própria decisão, como se o gesto simbólico apagasse a responsabilidade de quem tinha o poder de soltar ou condenar (Mateus 27:24).

Usava de brutalidade no governo, a ponto de matar galileus dentro do próprio contexto de adoração no templo (Lucas 13:1).

Lições e legado
Lições de vida

Conhecer a verdade não basta, é preciso ter coragem para agir de acordo com ela, mesmo quando isso custa caro.

A pressão de um grupo pode levar até uma autoridade a fazer o que sabe ser errado, vale perguntar de quem é a aprovação que buscamos antes da de Deus.

Lavar as mãos não transfere a responsabilidade, a neutralidade diante da injustiça também é uma escolha, e ela tem consequências.

Mesmo sem querer, Pilatos deixou escrita a verdade mais importante da história (João 19:19-22), Deus pode usar até a resistência humana para cumprir seus propósitos.

Legado missionário

A frase sofreu sob Pôncio Pilatos entrou nos credos históricos da igreja e ancora a fé cristã num fato histórico datável, não num mito.

A inscrição que mandou fixar na cruz, em hebraico, latim e grego, tornou-se um símbolo de que o evangelho de Jesus é para todos os povos e línguas (João 19:19,20).

Sua história lembra a quem hoje decide levar o evangelho a outro povo que a verdade sobre Jesus muitas vezes será julgada por autoridades que preferem a conveniência à justiça, e ainda assim vale ser anunciada.

A descoberta arqueológica da inscrição com o nome de Pilatos em Cesareia, em 1961, reforça a confiabilidade histórica dos evangelhos para quem hoje apresenta a fé a céticos.

Família e contexto
Família e relações
Esposa Não identificada pelo nome nos evangelhos (Mateus 27:19)
Superior político Imperador Tibério, que o nomeou prefeito da Judeia (Lucas 3:1)
Contemporâneo religioso Caifás, sumo sacerdote que entregou Jesus a Pilatos (João 18:28-30)
Contemporâneo político Herodes Antipas, tetrarca da Galileia (Lucas 23:6,7)
Nações mencionadas

Israel

Judeia, província que ele governava (Lucas 3:1)

Itália

Roma, sede do império que ele representava, evocada nas referências a César (João 19:12,15)

Locais relacionados

Judeia

Província romana que Pilatos governava como prefeito, hoje parte de Israel e dos territórios palestinos.

Jerusalém

Cidade onde Pilatos julgou Jesus durante a festa da Páscoa (Mateus 27:11-26).

Cesareia Marítima

Sede administrativa dos governadores romanos da Judeia, onde uma inscrição com o nome de Pilatos foi encontrada em 1961.

Praetório

Residência oficial do governador em Jerusalém, onde Jesus foi interrogado e açoitado (João 18:28,33).

Roma

Capital do império que Pilatos representava e ao qual prestava contas como prefeito.

Gólgota

Local da crucificação, para onde Jesus foi enviado depois de condenado por Pilatos (João 19:17,18).

Onde encontrar na Bíblia
Onde encontrar na Bíblia

A história do julgamento de Jesus diante de Pilatos é narrada nos quatro evangelhos: Mateus 27:1-26, Marcos 15:1-15, Lucas 23:1-25 e João 18:28 a 19:16. Ele também aparece em Lucas 13:1, no episódio dos galileus, e é mencionado depois em Atos 4:27 e em 1 Timóteo 6:13.

Outras pessoas