Em milhares de igrejas ao redor do mundo, um único volume grosso ocupa lugar de honra na estante do pastor: Teologia Sistemática, de Wayne Grudem. Antes de se tornar um clássico evangélico, porém, ele foi apenas um menino do interior dos Estados Unidos que aprendeu a amar as Escrituras ainda na infância.
Grudem nasceu em 11 de fevereiro de 1948, em Jim Falls, no estado americano de Wisconsin, filho de pais que liam a Bíblia em voz alta todas as noites. Aos treze anos, renovou o compromisso com Cristo numa cruzada de evangelização de Billy Graham em Minneapolis.
Formou-se em economia por Harvard em 1970 e concluiu o mestrado em divindade no Seminário Teológico Westminster em 1973. Em 1979, doutorou-se em Novo Testamento pela Universidade de Cambridge, com tese sobre o dom de profecia em 1 Coríntios, orientada por C. F. D. Moule.
A partir de 1977 lecionou no Bethel College e, de 1981 a 2001, foi professor na Trinity Evangelical Divinity School, chegando a presidir o departamento de teologia. Em 1987, ao lado do teólogo John Piper, fundou uma organização dedicada ao que passou a ser chamado de complementarianismo, convicção sobre papéis distintos entre homem e mulher na igreja e no lar.
Em 1994 publicou Teologia Sistemática, obra de mais de mil e duzentas páginas que já ultrapassou um milhão de exemplares vendidos. A partir de 1999 integrou o comitê de tradução da versão bíblica inglesa ESV e, de 2005 a 2008, atuou como editor geral da Bíblia de Estudo ESV.
Grudem também defendeu, ao lado do teólogo Bruce Ware, que o Filho se submete eternamente ao Pai dentro da Trindade. A tese gerou intensa controvérsia acadêmica em 2016, quando teólogos reformados como Liam Goligher e Carl Trueman alertaram publicamente que ela se afastava da doutrina niceno-constantinopolitana tradicional sobre a Trindade, num debate que dividiu o campo complementarista.
Em 2019, depois de ouvir relatos de cônjuges que sofreram décadas de abuso físico e humilhação em silêncio, revisou publicamente sua posição sobre divórcio. Passou a reconhecer o abuso grave e continuado como motivo bíblico legítimo para a separação conjugal, ao lado do adultério e do abandono.
Reformado, batista e convicto de que os dons espirituais continuam ativos hoje, Grudem repete desde o prefácio de sua obra maior que teologia não deve ser árida: deve ser vivida, orada e cantada. Como professor de pesquisa no Phoenix Seminary, seguiu ensinando por quase duas décadas mesmo após receber, em 2015, o diagnóstico de mal de Parkinson, até que a doença e um tratamento contra câncer de próstata o levaram a anunciar, em maio de 2024, o fim de seu ministério público de ensino.