Caribe
A identidade da nação
O Sudão do Sul é o país mais novo do mundo: tornou-se independente do Sudão em 2011, depois de décadas de guerra. É uma nação jovem tentando construir uma identidade comum entre mais de 60 grupos étnicos, cada um com sua língua, seus costumes e sua própria história de sofrimento e resistência.
A maioria da população se declara cristã, e a igreja foi, muitas vezes, a única instituição que continuou funcionando durante os anos de guerra, oferecendo abrigo, alimento e esperança às famílias deslocadas. Mas essa fé cristã, ainda jovem, com frequência convive lado a lado com antigas práticas de culto aos ancestrais e a espíritos, e crer em Jesus nem sempre significa abandonar o medo de feitiços e maldições.
Entre os povos pastores, como os dinka, os nuer e os mundari, o gado ocupa um lugar quase sagrado: define o valor de uma pessoa, paga o dote de casamento e é motivo de conflitos armados entre comunidades vizinhas. Já entre os povos árabes muçulmanos, que vivem principalmente perto da fronteira com o Sudão, o evangelho quase não chegou, e seguir a Jesus pode significar perder a família e a comunidade.
O país ainda vive as marcas de uma guerra civil que, entre 2013 e 2018, matou quase 400 mil pessoas e deslocou milhões de outras. Hoje, o Sudão do Sul enfrenta uma das maiores crises de deslocamento da África, com famílias vivendo em campos de refugiados dentro e fora do país, dependendo de ajuda humanitária para sobreviver.
Ainda assim, é um povo que canta, dança e celebra a vida mesmo em meio à dor, e que carrega um enorme potencial para levar o evangelho aos seus próprios vizinhos e às comunidades ainda não alcançadas dentro de suas fronteiras. Orar pelo Sudão do Sul é orar por cura, por reconciliação entre etnias feridas, e por uma igreja que aprofunde sua fé além da tradição herdada.
O Sudão do Sul é um país sem litoral, no centro-leste da África, cercado pelo Sudão ao norte, Etiópia a leste, Quênia e Uganda ao sul, e República Democrática do Congo e República Centro-Africana a oeste. O rio Nilo atravessa o território de sul a norte, e ao seu redor se formou o Sudd, um dos maiores pântanos do mundo: uma imensa área de água, canais e vegetação aquática que ocupa boa parte do centro do país. Ao norte, a paisagem é de savana seca com árvores de espinho; ao sul, dá lugar a savanas mais verdes e a áreas de floresta tropical, onde vivem elefantes, girafas e uma das maiores populações de antílopes migratórios do mundo.
Pão fino e levemente fermentado, feito de sorgo ou milho, usado para "pegar" guisados em quase toda refeição
Papa espessa de farinha de milho ou sorgo, moldada em bolas e servida com guisado de amendoim ou carne
Guisado à base de amendoim moído, que dá sabor e consistência a muitos dos pratos do país
Guisado de quiabo cozido em molho de tomate, geralmente com carne de boi ou cabra, servido com kisra ou asida
Guisado de feijão fava cozido bem devagar, comum no café da manhã, comido com pão
Para povos pastores como os dinka, os nuer e os mundari, o leite do próprio gado é parte central da alimentação diária
Cultura e espiritualidade
2a · A cultura
Para povos pastores como os dinka, os nuer e os mundari, o gado não é só riqueza: é parte da identidade, usado em casamentos, rituais e até em nomes de pessoas
Em vários grupos étnicos, jovens recebem cicatrizes ou passam por outras marcas corporais como parte de cerimônias de passagem para a vida adulta
Histórias, genealogias e provérbios são passados de geração em geração pela fala e pelo canto, já que boa parte da população não teve acesso à escrita
Cantos acompanhados de tambores e chifres de gado marcam quase todas as celebrações, do nascimento ao luto
Ao entardecer, famílias levam o gado para acampamentos abertos às margens dos rios, onde dormem ao lado dos animais para protegê-los
Receber um visitante com comida e um lugar para descansar é considerado uma obrigação sagrada, mesmo em famílias com poucos recursos
2b · O campo
Áreas de batalha espiritual e cativeiro cultural a serem cobertas em oração. Toque em cada ponto para entender:
Em vários povos, curandeiros e adivinhos são consultados para explicar doenças e desgraças, no lugar de buscar a Deus
Muitas famílias fazem oferendas e rituais para agradar os espíritos dos antepassados e evitar sua ira
Ciclos de ataques entre etnias por roubo de gado ou disputas antigas alimentam um espírito de vingança entre gerações
Em muitas comunidades, o valor de uma pessoa é medido pelo número de cabeças de gado que possui
O medo de feitiços e maldições lançadas por vizinhos ou parentes ainda pesa sobre decisões do dia a dia
Décadas de guerra deixaram feridas profundas de raiva, luto e desconfiança entre diferentes grupos
O desvio de recursos públicos por líderes agrava a pobreza e alimenta a desconfiança no governo
Em campos de deslocados e nas cidades, a bebida é usada como forma de lidar com a dor da guerra
O alto dote pago em cabeças de gado às vezes reduz o casamento a uma transação entre famílias
Muitos se dizem cristãos por herança de família ou igreja, mas misturam a fé com práticas espíritas antigas
Comunidades árabes muçulmanas vivem isoladas das igrejas cristãs ao redor
A perseguição no Sudão do Sul tem menos a ver com uma lei específica contra os cristãos e mais com a instabilidade generalizada do país. Décadas de guerra deixaram um Estado frágil, onde milícias armadas, disputas entre etnias e a fome afetam igrejas e comunidades cristãs como afetam qualquer outra parte da população.
No relatório de 2025 da organização cristã Portas Abertas, o país aparece na 76ª posição entre os lugares mais difíceis para viver a fé cristã no mundo. Pastores e líderes de igrejas às vezes se tornam alvo em meio a ataques armados entre grupos rivais, e igrejas já foram saqueadas ou destruídas durante períodos de violência.
Entre as comunidades árabes muçulmanas que vivem sobretudo perto da fronteira com o Sudão, quem decide seguir a Jesus enfrenta forte pressão da própria família e da comunidade, podendo ser expulso de casa ou rejeitado pelos parentes.
A corrupção generalizada e a fragilidade das instituições do Estado dificultam qualquer proteção efetiva às vítimas de violência, incluindo cristãos atingidos por conflitos étnicos ou por sua fé.
O score de perseguição vai de 0 a 100: quanto maior, maior a pressão sobre os cristãos.
No Sudão do Sul, o Joshua Project identifica 80 grupos étnicos, dos quais 6 ainda são considerados não alcançados pelo evangelho, somando cerca de 681 mil pessoas. Entre eles estão comunidades árabes muçulmanas que vivem no país (como os árabes de Mongalla e os árabes sudaneses), o povo daasanach, a comunidade surda (tratada como grupo à parte pela barreira de comunicação), os njalgulgule e os nyangatom. Ainda que a maioria da população se declare cristã, muitos grupos vivem essa fé misturada com crenças tradicionais africanas, e povos inteiros, sobretudo de origem árabe-muçulmana e comunidades isoladas de fronteira, permanecem sem acesso real ao evangelho.
Fonte dos dados de povos: Joshua Project (joshuaproject.net). Estimativas, podem variar.
Fonte: Joshua Project. Estimativas, podem variar.
Interceda por esta nação
Cada nação carrega um propósito redentor. Marcas que parecem fazer parte da identidade que Deus deseja restaurar:
Logística para quem deseja ir
Nem todos vão, todos participam
Por trás de cada obreiro entre estes povos existe uma rede de gente que ora sem parar, cuida da família que ficou e sustenta o trabalho com fidelidade. Enviar também é missão.
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