Povo
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Bohan Shen - Flickr, CC BY-NC-SA 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
611 mil pessoas deste povo vivem em países onde ele segue não ou pouco alcançado:
Rússia Não alcançado
484.000 pessoas
Síria Pouco alcançado
64.000 pessoas
Turquia Pouco alcançado
43.000 pessoas
Uzbequistão Pouco alcançado
8.700 pessoas
Turcomenistão Pouco alcançado
4.800 pessoas
Azerbaijão Pouco alcançado
4.200 pessoas
Cazaquistão Pouco alcançado
1.900 pessoas Os ossetes são um dos povos mais antigos do Cáucaso, herdeiros das tribos iranianas que ocuparam as estepes e os desfiladeiros do Grande Cáucaso Central muito antes da era cristã. Autodenominam-se irontas e digorontas e falam o ossético, língua iraniana isolada em meio a um mosaico de idiomas caucasianos, turcos e semíticos. Vivem principalmente na Ossétia do Norte, na Rússia, e em bolsões espalhados pela Geórgia, pela Ásia Central e pelo Oriente Médio.
Dentro desse povo largamente conhecido pela fé cristã ortodoxa, existe uma parcela que segue outro caminho: os ossetes de tradição digor, do oeste da Ossétia do Norte e de áreas vizinhas na Cabárdia-Balcária, que adotaram o islã sunita há alguns séculos e hoje formam uma minoria religiosa dentro da própria etnia. São herdeiros da mesma língua, das mesmas lendas heroicas e do mesmo apego à honra e à hospitalidade que marcam a cultura ossética, mas vivem sua identidade sob o signo do islã.
As raízes dos ossetes remontam aos alanos, sármatas e citas, tribos de língua iraniana que dominaram as estepes do sul da Rússia na Antiguidade. Pressionados pelas invasões mongóis do século XIII, os alanos recuaram para os desfiladeiros do Cáucaso Central, onde sua identidade se consolidou isolada das planícies. O cristianismo chegara ainda nos séculos VI e VII, vindo de Bizâncio e da Geórgia, e por muito tempo foi a fé predominante entre os ossetes.
Entre os séculos XVII e XVIII, sob influência dos vizinhos cabardinos, parte dos ossetes do oeste, os digors, converteu-se ao islã sunita. Essa mudança de fé, ocorrida numa região de encontro entre o Cáucaso Norte islamizado e o Cáucaso Sul cristão, deu origem a uma comunidade que hoje carrega dupla marca: étnica ossética e religiosa muçulmana.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Rússia Não alcançado
|
74,6%
|
484.000 |
Síria Pouco alcançado
|
9,9%
|
64.000 |
Turquia Pouco alcançado
|
6,6%
|
43.000 |
Geórgia Superficialmente alcançado
|
5,2%
|
34.000 |
Uzbequistão Pouco alcançado
|
1,3%
|
8.700 |
Turcomenistão Pouco alcançado
|
0,7%
|
4.800 |
Azerbaijão Pouco alcançado
|
0,6%
|
4.200 |
Ucrânia Parcialmente alcançado
|
0,6%
|
3.900 |
Cazaquistão Pouco alcançado
|
0,3%
|
1.900 |
Muitas famílias vivem em aldeias de montanha e nas planícies férteis do sopé do Cáucaso, combinando a criação de gado e ovelhas com o cultivo de milho e trigo. As torres de pedra que ainda pontilham vilarejos antigos lembram um tempo em que a defesa do clã e da terra era questão de sobrevivência. Hoje, muitos moram também em cidades como Vladikavkaz, trabalhando no comércio, na indústria e no serviço público.
A vida social gira em torno da família extensa e do respeito aos mais velhos: hospitalidade generosa ao visitante, banquetes cerimoniais com brindes tradicionais e um forte senso de honra pessoal e coletiva continuam centrais, mesmo nas cidades. As sagas heroicas dos nartos, contadas de geração em geração, seguem alimentando o orgulho por uma história antiga e guerreira.
Esse grupo professa o islã sunita, adotado pelos antepassados digors há mais de trezentos anos e hoje parte central de sua identidade diante dos ossetes cristãos ortodoxos que formam a maioria do povo. A oração, o jejum e as festas islâmicas marcam o calendário religioso das famílias, ao lado de costumes muito mais antigos que atravessam as fronteiras de fé no Cáucaso.
Entre eles, como entre outros ossetes, persistem práticas ligadas a santuários e bosques sagrados, visitas a túmulos de ancestrais e banquetes rituais em datas específicas do ano, heranças de uma religiosidade caucasiana anterior às grandes fés monoteístas. Ser muçulmano, nesse contexto, não apaga o vínculo com essas tradições: os dois mundos convivem lado a lado na vida cotidiana.
A língua ossética já conta com o Novo Testamento e a Bíblia completa, um marco alcançado depois de décadas de trabalho de tradução, além de gravações em áudio e do filme sobre a vida de Jesus dublado no idioma. Para os ossetes de tradição muçulmana, porém, essas Escrituras carregam associação direta com a fé cristã dos vizinhos e parentes ortodoxos, o que torna sua leitura um passo carregado de significado social, raramente dado em público.
Entre os ossetes de tradição digor e muçulmana, seguir Jesus significa romper não só com uma fé, mas com uma identidade dupla: seria visto como abandonar tanto o islã quanto o vínculo que os distingue dos parentes ossetes cristãos. O isolamento das aldeias de montanha, a força da família extensa na vigilância dos costumes e a associação da Bíblia à religião dos vizinhos ortodoxos tornam raro qualquer primeiro contato com o evangelho apresentado de forma clara e respeitosa à sua cultura.
Regiões do Cáucaso Norte enfrentam desemprego, êxodo de jovens para grandes cidades russas e memórias ainda recentes de conflitos na região. Para os ossetes muçulmanos, soma-se a necessidade de ouvir o evangelho de um modo que não exija escolher entre a fé em Cristo e a identidade que os liga à sua própria gente.
Falta também comunidade: praticamente não há igrejas ou grupos de crentes enraizados nessa parcela do povo, o que deixa qualquer pessoa que se aproxime de Jesus sem referência de outros que compartilhem sua língua, seus costumes e sua história.
A Bíblia completa em ossético e o filme sobre Jesus dublado no idioma já existem e circulam em áudio e vídeo pela internet, ao alcance de qualquer ossete disposto a buscar por conta própria, inclusive os de tradição muçulmana. É um caminho discreto, mas real, pelo qual a mensagem pode chegar mesmo onde ainda não há um único crente conhecido.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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