Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os uandala, também chamados mandara, são um povo do extremo norte de Camarões e do nordeste da Nigéria, na região das montanhas Mandara, no departamento de Mayo-Sava, a leste e ao redor da cidade de Mora. Descendem dos habitantes do antigo reino de Mandara, um dos mais duradouros reinos da África Ocidental, fundado por volta do ano 1500, que moldou por séculos a identidade, a língua e a organização social do povo.
Vivem hoje divididos entre dois países por uma fronteira traçada bem depois de sua história começar, mas mantêm entre si a mesma língua, os mesmos costumes e o mesmo laço com a terra das montanhas onde seus ancestrais construíram um reino. Essa continuidade entre passado e presente é parte central de quem são os uandala, um povo quase inteiramente muçulmano ainda pouco alcançado pelo evangelho.
A identidade uandala nasceu do antigo reino de Mandara, fundado por volta de 1500 nas montanhas que hoje levam esse nome, no norte de Camarões. Por gerações, o reino floresceu como potência local, com dinastia, exército e território próprios.
No início do século XVIII, viajantes muçulmanos convenceram um dos reis a se converter ao islã, e a islamização se espalhou pelo reino ao longo do século seguinte, tornando-se parte da identidade do povo. Em 1960, com a independência de Camarões, o antigo reino de Mandara passou a integrar o novo país, e parte significativa do povo uandala permaneceu do outro lado da fronteira, na Nigéria.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Camarões Não alcançado
|
78%
|
78.000 |
Nigéria Não alcançado
|
22%
|
22.000 |
Os uandala vivem em vilarejos organizados em conjuntos retangulares: cada conjunto reúne várias casinhas de barro em torno de um pátio cercado por muro de terra. No centro da vila ficam a casa do chefe e a mesquita, e as decisões da comunidade passam por essa liderança dupla, civil e religiosa.
A agricultura sustenta a maioria das famílias, com o sorgo como cultura principal, cultivado em campos que cercam os vilarejos. O trabalho do ferro também tem lugar de destaque entre os uandala: seus ferreiros produzem ferramentas procuradas por povos vizinhos, o que sustenta um comércio ativo com caravanas que cruzam a região das montanhas Mandara.
Os uandala são hoje quase inteiramente muçulmanos, herdeiros da conversão dos reis de Mandara ao islã há três séculos, no início do século XVIII. A mesquita ocupa o centro simbólico de cada vila, ao lado da casa do chefe, e o líder religioso participa das decisões da comunidade lado a lado com a autoridade civil.
Para os uandala, a fé muçulmana não é apenas crença pessoal, mas parte da memória coletiva de um povo que já teve reino, rei e dinastia próprios, um reino que resistiu por séculos nas montanhas antes de se tornar parte de Camarões. Praticar o islã é também manter viva essa herança e essa identidade.
A língua uandala, do ramo tchádico, é falada por dezenas de milhares de pessoas na fronteira entre Camarões e a Nigéria, sobretudo ao redor de Mora e Kolofata. O Novo Testamento já foi traduzido para o idioma, um passo importante em um povo onde a oralidade pesa mais que a leitura. Gravações em áudio e recursos falados ajudam a levar esse texto a quem não lê, mas a Palavra ainda circula pouco dentro das famílias e das vilas.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Entre os uandala, professar o islamismo é parte inseparável de pertencer ao povo: a memória do antigo reino e da conversão dos reis ao islã no século XVIII sustenta essa identidade até hoje. Deixar a fé muçulmana soa, para muitas famílias, como abandonar a própria história. Some-se a isso um obstáculo silencioso: o cristianismo que os uandala mais veem ao redor costuma ser nominal, de nome apenas, o que dificulta enxergar na fé em Jesus algo vivo e diferente daquilo que já conhecem.
Os uandala precisam, antes de tudo, de mais Escritura disponível na própria língua e de meios de fazê-la circular em comunidades onde a leitura não é o principal canal de comunicação, mas a palavra falada e ouvida em família. Precisam também de exemplos vivos de fé cristã: em um contexto onde o cristianismo conhecido é muitas vezes só de nome, falta ao povo ver o evangelho encarnado em vidas transformadas, não apenas ouvir sobre ele. E precisam de obreiros dispostos a aprender sua língua e a conviver de perto com suas vilas e sua história.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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