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al-Islam · Submissão a Deus
O Islã nasceu no século VII na Península Arábica, a partir da pregação de Maomé, considerado pelos muçulmanos o último dos profetas enviados por Deus. O Alcorão, seu livro sagrado, reúne o que os muçulmanos creem ser a revelação recebida por Maomé ao longo de mais de duas décadas, e é a base da fé e da prática islâmica em todo o mundo.
Segundo o Pew Research Center, o Islã reunia cerca de 2,0 bilhões de pessoas em 2020, ou 25,6% da população mundial, e está presente em praticamente todos os países. A Indonésia é o país com mais muçulmanos, seguida de perto pelo Paquistão, e depois vêm a Índia e Bangladesh: são países fora do mundo árabe que, juntos, reúnem uma parcela muito grande dos muçulmanos do planeta. O Oriente Médio e o Norte da África, berço histórico da religião, também têm grandes populações muçulmanas.
O Islã compartilha com o cristianismo a crença em um só Deus e reconhece figuras bíblicas como Abraão, Moisés e Jesus, chamado de profeta, embora negue sua divindade e sua morte na cruz. Essa proximidade parcial abre espaço para diálogo, mas também exige clareza sobre as diferenças centrais entre as duas fés, especialmente quanto à pessoa de Jesus e à salvação.
Em muitos países de maioria muçulmana, deixar o Islã para seguir Cristo tem um custo social e familiar alto, e às vezes legal. Ainda assim, o número de muçulmanos que têm sonhos, visões e encontros pessoais com Jesus tem crescido em diversas partes do mundo.
A declaração "Não há divindade além de Deus, e Maomé é o mensageiro de Deus" é o ato que torna alguém muçulmano. Pronunciá-la com sinceridade basta para a conversão, e muitos o fazem diante de testemunhas. Ela é repetida diariamente nas orações como lembrete constante da submissão a um Deus único.
Cinco orações obrigatórias por dia, no alvorecer, ao meio-dia, à tarde, ao pôr do sol e à noite, feitas voltado para a Caaba em Meca. Envolvem um ciclo fixo de posturas, em pé, curvado, prostrado, e recitações em árabe, e podem ser feitas sozinho ou em grupo, sendo a oração coletiva de sexta-feira na mesquita especialmente valorizada.
Contribuição anual, geralmente calculada em cerca de 2,5% da riqueza acumulada, destinada aos pobres, aos necessitados, aos endividados, aos viajantes sem recursos e a outras categorias definidas no Alcorão. É entendida não como caridade voluntária, mas como purificação dos bens e dever de justiça social dentro da comunidade de fé.
Jejum da alvorada ao pôr do sol durante todo o mês de Ramadã, o nono mês do calendário lunar islâmico, abstendo-se de comida, bebida e relações conjugais durante o dia. É visto como exercício de autodisciplina, purificação espiritual e solidariedade com quem passa fome, encerrado todos os dias com uma refeição comunitária chamada iftar.
Peregrinação à cidade de Meca, na Arábia Saudita, obrigatória pelo menos uma vez na vida para todo muçulmano que tenha saúde e condições financeiras para realizá-la. Ocorre em datas fixas do calendário islâmico e inclui rituais específicos, como circundar a Caaba sete vezes e a permanência na planície de Arafat, marcando o auge da vida devocional de quem a cumpre.
Maior ramo do Islã, formado pelos que aceitaram como sucessores de Maomé, após sua morte em 632 d.C., os líderes chamados califas, escolhidos pelos chefes da comunidade e não por parentesco com o profeta. Segue majoritariamente quatro escolas clássicas de jurisprudência islâmica e reconhece um conjunto amplo de coletâneas de ditos atribuídos a Maomé, os hadiths, como fonte de autoridade ao lado do Alcorão.
Segundo maior ramo, originado da crença de que a liderança da comunidade deveria ter permanecido na família de Maomé, começando por seu genro e primo Ali. A divisão entre sunitas e xiitas nasce dessa disputa de sucessão no século VII e se aprofundou com o martírio de Hussein, neto de Maomé, evento central na memória e na liturgia xiita até hoje.
Corrente mística do Islã, mais uma dimensão espiritual do que uma terceira vertente separada, que busca a experiência direta e íntima de Deus através de disciplinas como repetição de nomes divinos, poesia devocional e orientação de mestres espirituais. Encontra-se tanto entre sunitas quanto entre xiitas, embora seja vista com desconfiança por correntes islâmicas mais literalistas.
Crença central e inegociável na absoluta unidade de Deus, chamado Alá, o mesmo termo árabe usado por cristãos arabófonos para se referir a Deus, sem parceiros, filhos ou associados de qualquer espécie. Atribuir divindade a qualquer outro ser, inclusive a Jesus, é considerado o maior pecado possível no Islã, chamado shirk.
O Islã reconhece uma longa linha de profetas escolhidos por Deus para guiar a humanidade, incluindo Adão, Noé, Abraão, Moisés e Jesus, tratado como um grande profeta e mensageiro, mas não como Filho de Deus. Maomé é considerado o último da linha, o selo dos profetas, cuja mensagem encerra e completa as revelações anteriores.
Os anjos são criaturas espirituais criadas por Deus para cumprir tarefas específicas, entre elas transmitir revelações aos profetas. O anjo Gabriel, chamado Jibril em árabe, ocupa lugar central por ter sido, segundo a tradição islâmica, quem revelou o Alcorão a Maomé ao longo de mais de duas décadas.
Além do Alcorão, o Islã reconhece que Deus revelou escrituras anteriores, como a Torá entregue a Moisés, os Salmos entregues a Davi e o Evangelho entregue a Jesus. A crença tradicional islâmica, porém, é que esses textos foram alterados ou corrompidos ao longo do tempo por seus copistas, o que justificaria, na visão muçulmana, a necessidade de uma revelação final e definitiva no Alcorão.
Na teologia islâmica tradicional, o Alcorão não é apenas um livro inspirado, mas a própria palavra literal e eterna de Deus, existente antes da criação e transmitida a Maomé sem interferência humana em seu conteúdo. Por isso, o texto em árabe original é tratado como sagrado em si mesmo, e traduções para outras línguas são vistas apenas como interpretações aproximadas.
Crença firme de que haverá um dia final em que todos os seres humanos serão ressuscitados e julgados por Deus de acordo com seus atos, sua fé e sua obediência aos cinco pilares. Esse julgamento determina o destino eterno de cada pessoa, entre o paraíso e o inferno, e ocupa lugar de grande peso na pregação e na piedade popular islâmica.
Confiança de que a vontade soberana de Deus governa todos os acontecimentos, bons ou maus, e que nada ocorre fora do seu decreto e conhecimento prévio. Essa crença convive, na prática cotidiana, com a ideia de responsabilidade pessoal pelas próprias escolhas, e a expressão "se Deus quiser" (in shaa Allah) reflete esse equilíbrio na fala diária de muçulmanos.
Nono mês do calendário lunar islâmico, dedicado ao jejum do amanhecer ao pôr do sol, à leitura do Alcorão e à intensificação da vida de oração. É considerado o período de maior efervescência espiritual do ano para a maioria dos muçulmanos.
Celebração que marca o encerramento do Ramadã, com oração comunitária pela manhã, refeições festivas, roupas novas e visitas entre familiares. É uma das duas maiores festas do calendário islâmico.
Festa que recorda a disposição de Abraão em sacrificar seu filho a mando de Deus, substituído por um animal no último instante, segundo a narrativa islâmica. Muçulmanos que têm condições sacrificam um animal e distribuem parte da carne aos pobres, e a data coincide com o período do Hajj.
Grande peregrinação que reúne milhões de muçulmanos de todo o mundo em Meca durante alguns dias fixos do calendário islâmico, cumprindo o quinto pilar da fé. É o maior encontro religioso anual do Islã e um dos eventos mais visíveis do calendário muçulmano global.
O dia de um muçulmano praticante é estruturado pelas cinco orações diárias, que dividem a rotina em blocos marcados pelo chamado à oração. Antes de cada oração, faz-se uma lavagem ritual chamada wudu, que inclui as mãos, a boca, o nariz, o rosto, os antebraços, a cabeça e os pés, e a oração em si segue voltada em direção a Meca, onde quer que a pessoa esteja.
Muçulmanos seguem regras alimentares que definem o que é permitido, chamado halal, e o que é proibido, chamado haram, como carne de porco e bebidas alcoólicas. A carne consumida deve vir de animais abatidos segundo um ritual específico, e encontrar comida halal é uma preocupação prática constante para muçulmanos que vivem fora de países de maioria islâmica.
A modéstia no vestir é valorizada para homens e mulheres, com variações grandes conforme a cultura e o país. Entre as mulheres, isso pode incluir o uso de um véu que cobre o cabelo, o hijab, ou, em graus variados, o rosto e o corpo, enquanto homens costumam evitar roupas consideradas ostentosas, sempre com diferenças amplas de prática entre famílias e regiões.
A mesquita é o centro de culto, ensino e convivência comunitária. A oração coletiva de sexta-feira ao meio-dia, acompanhada de uma pregação, é o momento de maior reunião semanal da comunidade, análogo em importância social ao culto dominical para muitos cristãos.
Desde cedo, crianças muçulmanas são ensinadas a memorizar trechos do Alcorão, aprender as orações em árabe e participar dos ritos familiares, muitas vezes em escolas religiosas complementares à educação regular. Memorizar o Alcorão inteiro, algo alcançado por alguns jovens, é motivo de grande honra para a família.
A vida social gira em grande parte em torno da família extensa, com forte peso da autoridade dos pais e dos mais velhos nas decisões pessoais, incluindo casamento e escolhas de fé. Essa estrutura familiar coesa é, ao mesmo tempo, fonte de apoio e rede de proteção, e um dos fatores que tornam mais difícil, em termos sociais, a decisão de deixar o Islã.
O Islã compartilha com o cristianismo a crença em um único Deus criador e a reverência por figuras como Abraão, Moisés e Jesus, chamado de profeta. Esse terreno comum pode ser ponto de partida honesto para uma conversa.
Muçulmanos costumam valorizar a oração, o jejum e a disciplina espiritual como parte natural da vida de fé, o que cria empatia com cristãos que também levam a sua devoção a sério.
Nunca associe o Islã, de forma genérica, a violência ou a terrorismo. A grande maioria dos muçulmanos no mundo nunca teve qualquer envolvimento com extremismo e rejeita esse tipo de associação como uma caricatura injusta.
Evite comparar a pior expressão do Islã com a melhor expressão do cristianismo, ou vice-versa. É mais honesto e mais útil comparar os textos e as crenças centrais das duas fés.
Não trate o Alcorão com desrespeito físico ou verbal na frente de um muçulmano, mesmo em discordância teológica. Isso fecha portas para qualquer conversa futura.
O que você entende sobre quem foi Jesus, e por que o Alcorão fala tanto dele? É uma pergunta genuína que costuma abrir espaço para falar do evangelho a partir do que a pessoa já reconhece.
Como você tem certeza de que Deus perdoou os seus pecados? Essa pergunta toca no cerne da diferença entre a salvação pela graça, no cristianismo, e a salvação pelo peso das boas obras no julgamento final, no Islã.
Estimativa: percentual da religião em cada país multiplicado pela população do país.
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133,4 milhões133,4 milhões pessoas9 locais não alcançados9 locais não alcançados
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103,9 milhões103,9 milhões pessoas8 locais não alcançados8 locais não alcançados
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73,6 milhões73,6 milhões pessoas7 locais não alcançados7 locais não alcançados
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66,8 milhões66,8 milhões pessoas38 locais não alcançados38 locais não alcançados
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59,1 milhões59,1 milhões pessoas16 locais não alcançados16 locais não alcançados
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48,4 milhões48,4 milhões pessoas36 locais não alcançados36 locais não alcançados
38,5 milhões38,5 milhões pessoas1 local não alcançado1 local não alcançado
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38,2 milhões38,2 milhões pessoas18 locais não alcançados18 locais não alcançados