Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os wolio vivem no coração cultural da ilha de Buton, no sudeste de Sulawesi, na Indonésia, com presença marcante na cidade de Bau-Bau e na faixa costeira voltada para o estreito de Buntung. Por séculos, foram o povo central de um antigo sultanato que deu nome e identidade a toda a região, e sua língua chegou a ser o idioma da corte real, hoje ainda usada como língua de referência entre diferentes grupos da ilha.
Descendentes de uma linhagem que remonta à fundação daquele reino, os wolio carregam um forte senso de pertencimento a Buton, expresso na língua, nos costumes e na própria escrita tradicional herdada da corte. Levados pelo trabalho, alguns também se estabeleceram em Maluku e em Papua, mas a identidade wolio permanece ancorada na ilha onde tudo começou.
A tradição wolio remonta à fundação de um reino em Buton, erguido por famílias que chegaram à ilha vindas da região de Johor, no atual território da Malásia, no início do século XV. Esse reino cresceu como potência marítima e comercial no arquipélago malaio, e sua língua de corte, o wolio, tornou-se símbolo de prestígio e autoridade.
No século XVI, o então governante converteu-se ao islã e transformou o reino em sultanato, dando início a uma dinastia que reinou sobre Buton por gerações, deixando marcas na arquitetura, na escrita e na organização social que os wolio preservam até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Indonésia Não alcançado
|
99,6%
|
251.000 |
Malásia Não alcançado
|
0,4%
|
1.100 |
A vida no campo gira em torno do arroz, do milho e da mandioca, enquanto o mar sustenta boa parte das famílias costeiras. Entre junho e setembro, longas faixas de água ao redor de Buton são dedicadas ao cultivo do agar-agar, a alga marinha colhida e moída para virar matéria-prima de diversos produtos, um trabalho que marca o calendário e a rotina de vilarejos inteiros.
A extração de asfalto natural, abundante na ilha, e a exploração mais recente de petróleo e outros minerais também emprega parte da população, ao lado da pesca e do comércio. Não é raro que famílias se desloquem para outras ilhas indonésias, como Maluku e Papua, em busca de trabalho, levando consigo os costumes de Buton para novos lugares.
Quase todos os wolio professam um islamismo de raiz sufi, no qual a prática da meditação ocupa lugar central: buscam, por meio dela, receber visões diretamente de Deus ou alcançar verdades que consideram inacessíveis pela razão comum. Essa busca mística caminha lado a lado com a devoção às obrigações islâmicas tradicionais.
Herdada de contatos históricos com influências hindus, a crença na reincarnação também permanece viva entre o povo, entrelaçada a uma fé que, à primeira vista, parece inteiramente islâmica. Essa combinação reflete séculos de trocas culturais na região de Buton, onde a corte do sultanato absorveu e reinterpretou influências diversas.
Já existem porções das Escrituras na língua wolio, além de gravações do evangelho em áudio, o que abre uma porta importante para um povo cuja língua nasceu como idioma de corte do sultanato e hoje ainda carrega prestígio cultural na região de Buton. Ainda assim, essas porções alcançam pouco a vida cotidiana das famílias, e a maior parte do povo conhece a mensagem cristã, quando conhece, mais pela oralidade do que pela leitura direta do texto sagrado.
Entre os wolio, a fé islâmica está soldada à identidade herdada do antigo sultanato de Buton, de modo que deixar o islã é visto como abandonar a própria origem e o legado dos ancestrais. A prática sufi de meditação para alcançar visões e verdades ocultas ocupa o espaço que o evangelho ocuparia, e a crença na reincarnação, herdada da influência hindu, torna estranhas ideias cristãs como ressurreição e juízo final. A dispersão de famílias para Maluku e Papua em busca de trabalho também dificulta que uma pequena comunidade de fé se sustente e cresça junto ao povo.
O deslocamento de famílias para outras ilhas em busca de trabalho fragmenta comunidades e distancia gerações mais jovens das raízes de Buton, ao mesmo tempo em que a dependência de atividades como a pesca, a lavoura e o cultivo do agar-agar deixa muitas famílias vulneráveis às oscilações do mercado e do clima. Falta ao povo wolio um caminho claro e acessível para conhecer a pessoa de Jesus dentro da própria língua e cultura, sem que isso signifique romper com a família ou com a história que carregam.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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