1860–1931

Missionário · Fundador de movimento

C. T. Studd

Resumo
Missionário britânico e ex-atleta de elite do críquete internacional. Doou quase toda a fortuna herdada para servir na China, na Índia e no coração da África, fundando a missão que se tornaria a Worldwide Evangelization Crusade (WEC).
Quem foi
Biografia

Antes de ser lembrado como missionário, Charles Thomas Studd foi manchete nos jornais esportivos da Inglaterra vitoriana: astro do críquete, disputou pela seleção inglesa a partida de 1882 que deu origem às Ashes. Poucos anos depois, abriu mão da fama e de uma fortuna herdada para viver como missionário sem salário garantido.

Nascido em 1860 em Spratton, na Inglaterra, cresceu numa família enriquecida pelos negócios do pai na Índia. Ainda em Eton, por volta de 1878, converteu-se ao ouvir um pregador visitante, mas reconheceu mais tarde anos de fé morna. Já em Cambridge, após a morte do pai e a doença grave de um irmão, viveu uma crise de consciência que o levou, em 1882, às reuniões do evangelista americano D. L. Moody, ocasião em que assumiu um compromisso mais sério com Cristo.

Em 1885, ao lado de outros seis universitários, integrou o grupo que ficou conhecido como Cambridge Seven e embarcou para a China sob a China Inland Mission de Hudson Taylor. Ao herdar a fortuna do pai, doou quase tudo a obras cristãs, entre elas o instituto de D. L. Moody e o orfanato de George Müller.

Na China, casou-se com a missionária irlandesa Priscilla Stewart, com quem teve quatro filhas (dois filhos morreram ainda bebês). Doença forçou o casal a deixar o país em 1894: Studd passou seis anos viajando pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha, convocando universitários para as missões, antes de pastorear uma igreja de língua inglesa em Ootacamund, na Índia.

Já maduro e de saúde frágil, sentiu-se chamado à África central, então quase sem presença cristã. Em 1913, contra o conselho médico e a vontade da esposa adoentada, partiu para o interior do Congo Belga ao lado do futuro genro Alfred Buxton, chegando a Niangara e dando início à Heart of Africa Mission, mais tarde rebatizada Worldwide Evangelization Crusade. Em 1922, a sede da missão foi transferida para Ibambi, onde Studd viveria até o fim da vida.

Os dezoito anos seguintes não foram isentos de sombras. Seu estilo de liderança rígido e autoritário provocou conflitos com colaboradores, inclusive com o genro Alfred Buxton, que acabou rompendo com ele para servir em outra frente missionária. O casal viveu a maior parte desse tempo separado: Priscilla permaneceu na Inglaterra até morrer, em 1929, tendo revisto o marido apenas uma vez, numa breve visita ao Congo em 1928, depois de cerca de dezesseis anos morando em continentes diferentes. Nos últimos anos, Studd também recorreu à morfina para suportar dores crônicas, algo que gerou controvérsia entre seus colaboradores.

Morreu em Ibambi em 1931, aos setenta anos, ainda à frente da obra. Anos antes, ao ser questionado sobre seu compromisso com o sacrifício pela fé, dera a frase pela qual ficaria conhecido: se Jesus Cristo é Deus e morreu por ele, nenhum sacrifício seria grande demais.

A missão que fundou segue ativa em dezenas de países, sustentada pelo mesmo princípio de viver por fé, sem campanhas de arrecadação. Sua vida permanece como convite a medir o custo do discipulado sem meias medidas, mesmo quando o preço inclui a própria fragilidade humana e as fraturas que o zelo, sem humildade, pode abrir nos relacionamentos mais próximos.

“Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, então nenhum sacrifício pode ser grande demais para eu fazer por Ele.”
C. T. Studd · Atribuída a C. T. Studd e citada em sua biografia clássica, C. T. Studd: Cricketer and Pioneer, escrita por Norman Grubb (1933)
Linha do tempo
1860

Nascimento em Spratton, Inglaterra

Cresce em família enriquecida pelos negócios do pai na Índia.

1878

Conversão em Eton

Converte-se ao ouvir um pregador visitante; reconhece depois anos de fé morna.

1882

Disputa partida de críquete pela Inglaterra

Joga o confronto contra a Austrália que deu origem às Ashes.

1882

Compromisso mais sério com Cristo

Após a morte do pai e a doença grave de um irmão, rededica-se à fé nas reuniões do evangelista D. L. Moody em Cambridge.

1885

Parte para a China com os Cambridge Seven

Une-se à China Inland Mission de Hudson Taylor.

1887

Doa a herança paterna a obras cristãs

Cerca de vinte e nove mil libras destinadas a ministérios diversos.

1894

Doença força saída da China

Passa seis anos itinerando pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha.

1900

Muda-se para Ootacamund, Índia

Pastoreia igreja de língua inglesa por cerca de seis anos.

1913

Funda a Heart of Africa Mission no Congo Belga

Chega a Niangara contra conselho médico, ao lado do futuro genro Alfred Buxton.

1922

Transfere a sede da missão para Ibambi

Ibambi torna-se o centro da Heart of Africa Mission, onde viveria até a morte.

1931

Morte em Ibambi, Congo Belga

Morre aos setenta anos, ainda à frente da obra missionária.

Obras e marcos

Cambridge Seven

1885

Integrou o grupo de sete universitários de Cambridge que renunciaram a carreiras promissoras para servir na China Inland Mission.

Doação da herança paterna

1887

Ao herdar cerca de vinte e nove mil libras, doou quase tudo a obras cristãs, incluindo o Moody Bible Institute e o orfanato de George Müller.

Missão na China sob Hudson Taylor

1885-1894

Serviu quase dez anos na China Inland Mission, até a doença forçar seu retorno à Inglaterra.

Pastorado em Ootacamund, Índia

1900-1906

Pastoreou uma igreja de língua inglesa no sul da Índia após anos de itinerância recrutando missionários nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.

The Chocolate Soldier

1912

Panfleto de apelo missionário que confronta a fé morna com o chamado ao sacrifício radical.

Fundação da Heart of Africa Mission

1913

Chegou a Niangara, no interior do Congo Belga, ao lado do futuro genro Alfred Buxton, dando início à missão depois rebatizada Worldwide Evangelization Crusade (WEC). A sede foi transferida para Ibambi anos depois.

Obra contínua em Ibambi até a morte

1913-1931

Permaneceu à frente do trabalho missionário no Congo Belga por dezoito anos, até morrer no campo.

Contribuições
1

Renúncia pública à fama e à fortuna

Sua saída voluntária de uma carreira de sucesso no críquete internacional, e a doação de quase toda a herança paterna, tornaram-se um marco de desafio ao conforto cristão de sua época.

2

Modelo de vida por fé

Recusando campanhas de arrecadação, viveu e organizou sua missão sob o princípio de depender apenas da provisão de Deus, influenciando gerações de missionários de fé.

3

Abertura de campo missionário no coração da África

Estabeleceu as primeiras bases missionárias evangélicas em regiões do nordeste do então Congo Belga, então sem presença cristã organizada.

4

Escritos de desafio espiritual

Panfletos como The Chocolate Soldier, de 1912, continuam sendo usados para confrontar um cristianismo morno com o chamado ao sacrifício.

5

Liderança que também gerou conflito

Seu estilo autoritário provocou rupturas com colaboradores e familiares, inclusive com um genro, lembrete sóbrio de que zelo missionário não substitui humildade relacional.

Legado missionário

A missão que fundou, hoje WEC International, segue ativa em dezenas de países, recrutando missionários sob o mesmo princípio de vida por fé.

Sua frase sobre não haver sacrifício grande demais por Cristo continua sendo citada para desafiar candidatos ao serviço transcultural.

Seu genro Norman Grubb, biógrafo e sucessor, deu continuidade e consolidou a organização missionária após a morte de Studd.

O exemplo de doar riqueza pessoal para abrir campo missionário segue inspirando movimentos de simplicidade radical a serviço das missões.

Outras pessoas