1892–1983

Escritora · Ativista

Corrie ten Boom

Resumo
Relojoeira holandesa que, com a família, escondeu judeus em sua casa durante a ocupação nazista e foi presa e enviada a um campo de concentração. Depois da guerra, tornou-se escritora e pregadora itinerante, mensageira mundial do perdão radical em nome de Cristo.
Quem foi
Biografia

Você já perdoou alguém que nunca pediu perdão? Corrie ten Boom viveu essa pergunta da forma mais extrema possível, perdoando um dos carcereiros responsáveis pelo sofrimento e pela morte da própria irmã. Sua vida mostra que o perdão cristão não nasce do sentimento, mas de uma decisão renovada a cada dia.

Nascida em 15 de abril de 1892, em Haarlem, na Holanda, Corrie cresceu na relojoaria do pai, Casper ten Boom, numa família reformada dedicada à oração e à hospitalidade. Em 1922, tornou-se a primeira mulher relojoeira licenciada do país.

Com a ocupação nazista, um arquiteto da resistência construiu, em 1943, um esconderijo secreto atrás do quarto de Corrie, na casa da família em Haarlem. Ali judeus e membros da resistência ficaram protegidos das batidas alemãs; estima-se que a rede ligada aos ten Boom ajudou a salvar cerca de 800 pessoas.

Em 28 de fevereiro de 1944, informantes denunciaram a família à Gestapo. Casper morreu no Hospital Municipal de Haia dez dias depois, aos 84 anos, após dias de prisão em Scheveningen. Corrie e sua irmã Betsie foram enviadas ao campo de concentração de Ravensbrück, onde liam juntas uma Bíblia contrabandeada ao anoitecer.

Betsie morreu em 16 de dezembro de 1944. Corrie foi libertada doze dias depois, por um erro administrativo: soube mais tarde que, poucos dias após sua saída, todas as prisioneiras da sua idade foram executadas.

Depois da guerra, Corrie abriu em Bloemendaal uma casa de reabilitação, primeiro para sobreviventes de campos de concentração e, em seguida, para holandeses que haviam colaborado com os alemães durante a ocupação. Ali ela viveu na prática o que passaria a pregar pelo mundo: perdoar não apaga o mal sofrido, mas liberta de carregá-lo. Ela mesma reconheceu, em seus escritos, o quanto essa decisão lhe custou: perdoar o carcereiro de Ravensbrück foi, em suas palavras, a coisa mais difícil que já tivera de fazer, e exigiu vencer a própria vontade de recusar a mão estendida.

Em 1946, voltou à Alemanha e encontrou antigos guardas de Ravensbrück, entre eles um que lhe pediu perdão publicamente após um culto. Ela escreveu depois que o perdão é um ato de vontade, não uma emoção, e que a capacidade de perdoar vem de Deus, não da própria força de vontade.

Nas décadas seguintes, viajou por mais de sessenta países como pregadora e escritora, publicando O Refúgio Secreto em 1971. Reconhecida por Yad Vashem em 1967 como Justa entre as Nações, morreu em 15 de abril de 1983, no dia do seu aniversário de 91 anos, em Placentia, na Califórnia.

“O perdão é um ato de vontade, e a vontade pode funcionar independentemente da temperatura do coração.”
Corrie ten Boom · Tramp for the Lord, 1974
Linha do tempo
1892

Nascimento em Haarlem

Cornelia Arnolda Johanna ten Boom nasce em 15 de abril, filha do relojoeiro Casper ten Boom.

1922

Primeira relojoeira licenciada da Holanda

Passa a trabalhar oficialmente ao lado do pai na loja da família.

1943

Construção do esconderijo secreto

A família passa a abrigar judeus e membros da resistência em um compartimento oculto da casa.

28 de fevereiro de 1944

Prisão da família pela Gestapo

Informantes denunciam a casa; Corrie, Betsie e Casper são presos.

9 de março de 1944

Morte de Casper ten Boom

O pai de Corrie morre no Hospital Municipal de Haia, dez dias após a prisão, aos 84 anos.

16 de dezembro de 1944

Morte de Betsie em Ravensbrück

A irmã de Corrie morre no campo de concentração devido às condições da prisão.

28 de dezembro de 1944

Libertação de Ravensbrück

Corrie é libertada por um erro administrativo, dias antes da execução das prisioneiras da sua idade.

1946

Abertura da casa de reabilitação em Bloemendaal

Corrie acolhe sobreviventes e, depois, ex-colaboradores dos nazistas.

1967

Reconhecida Justa entre as Nações

Yad Vashem homenageia Corrie por seu papel em salvar judeus durante o Holocausto.

1971

Publicação de O Refúgio Secreto

O livro se torna best-seller e leva sua história ao mundo todo.

1983

Morte em Placentia, Califórnia

Corrie morre em 15 de abril, no dia do seu 91º aniversário.

Obras e marcos

Primeira relojoeira licenciada da Holanda

1922

Corrie se torna a primeira mulher a obter licença oficial de relojoeira no país, seguindo o ofício do pai.

Esconderijo secreto na casa de Haarlem

1943

Um arquiteto da resistência constrói um compartimento oculto atrás do quarto de Corrie, usado para proteger judeus e fugitivos.

Casa de reabilitação em Bloemendaal

1946

Após a guerra, Corrie abre um lar que acolhe primeiro sobreviventes de campos de concentração e depois ex-colaboradores dos nazistas.

Reconhecimento como Justa entre as Nações

1967

Yad Vashem reconhece Corrie ten Boom por arriscar a vida para salvar judeus durante o Holocausto.

O Refúgio Secreto

1971

Publica, com John e Elizabeth Sherrill, a autobiografia que narra o resgate de judeus e a prisão da família, best-seller mundial.

Tramp for the Lord

1974

Livro que reúne relatos de suas viagens como pregadora por dezenas de países depois da guerra.

Contribuições
1

Testemunho mundial do perdão

Viajou por mais de sessenta países pregando que o perdão é possível mesmo diante do mal extremo, tornando sua história referência sobre o tema.

2

Resistência cristã ao nazismo

Arriscou a própria vida para esconder judeus, tornando-se um dos exemplos mais citados de coragem cristã durante o Holocausto.

3

Ministério de reconciliação pós-guerra

Ao acolher tanto sobreviventes quanto ex-colaboradores nazistas em sua casa de reabilitação, praticou a reconciliação que pregava.

4

Literatura devocional sobre sofrimento e graça

Seus livros, traduzidos para dezenas de línguas, tornaram-se material comum em discipulado e aconselhamento cristão sobre dor e perdão.

Legado missionário

Sua história de perdão ao carcereiro é citada até hoje em pregações e treinamentos missionários como exemplo prático de amar o inimigo.

Os livros de Corrie, traduzidos amplamente, seguem usados no discipulado de cristãos que enfrentam perseguição ou trauma em campos missionários.

A casa da família em Haarlem tornou-se museu e ponto de peregrinação, recebendo grupos cristãos de diversos países.

Seu modelo de hospitalidade sob risco de vida inspira organizações que hoje acolhem refugiados e perseguidos por motivo de fé.

Outras pessoas