Poucas histórias de conversão são tão conhecidas quanto a de Nicky Cruz: de chefão de uma gangue violenta em Nova Iorque a pregador que já falou a milhões de pessoas sobre o perdão de Deus. Sua vida mostra que nenhuma trajetória de violência está fora do alcance da graça.
Nascido em 6 de dezembro de 1938, em Las Piedras, Porto Rico, Nicky cresceu em um lar marcado por práticas de espiritismo e por abusos físicos e emocionais. Aos 15 anos, foi enviado para viver com um irmão em Nova Iorque, mas logo passou a viver nas ruas do Brooklyn.
Ali ingressou na gangue Mau Maus e, em poucos meses, tornou-se seu líder. A violência era rotina: prisões repetidas, brigas armadas e a morte de um amigo próximo esculpiram nele a fama de irrecuperável, confirmada por um psicólogo que o considerou destinado à cadeia, à cadeira elétrica e ao inferno.
Em 1958, o jovem pregador David Wilkerson passou a procurá-lo nas ruas com uma mensagem simples: Jesus o amava e nunca deixaria de amá-lo. Cruz reagiu com ameaças, mas Wilkerson insistiu, até que Nicky foi a uma cruzada evangelística organizada por ele em Nova Iorque.
Naquela noite, Cruz se rendeu, pediu perdão a Deus e, junto com outros membros da gangue, entregou armas à polícia. Nos anos seguintes, estudou em uma escola bíblica e tornou-se o primeiro diretor do Teen Challenge, o ministério de recuperação fundado por Wilkerson em Nova Iorque.
Sua autobiografia, Run Baby Run, publicada em 1968, tornou-se um clássico evangélico traduzido em mais de 40 idiomas, e o filme The Cross and the Switchblade, de 1970, levou sua história às telas de cinema ao redor do mundo.
Casado com Gloria e pai de quatro filhas, Nicky segue pregando o evangelho a gangues, presidiários e comunidades urbanas por meio da Nicky Cruz Outreach e do TRUCE, ministério de evangelismo urbano fundado com a filha Alicia e o genro Patrick Dow em 1991.
Sua trajetória pública também teve momentos de controvérsia: em 2006, declarações suas classificando a homossexualidade como uma perversão levaram ativistas de Londres a pedir o cancelamento de um evento do TRUCE na cidade. Cruz pediu desculpas publicamente, afirmando não ter nada contra pessoas homossexuais, e o evento foi mantido.
Ainda hoje, já octogenário, repete a mesma mensagem que ouviu de Wilkerson: nenhuma vida está longe demais da misericórdia de Jesus. Sua trajetória continua inspirando ministérios de evangelismo urbano e recuperação em todo o mundo.