Toda equipe tem alguém cujo nome poucos lembram, mas sem quem a obra não teria acontecido. Silvano, chamado de Silas no livro de Atos, aparece ao lado de Paulo em quase toda página do Novo Testamento que narra a igreja em expansão, mas raramente fica no centro da cena.
Ele surge pela primeira vez em Jerusalém, como um dos líderes escolhidos pela igreja para levar aos cristãos de Antioquia a decisão do concílio apostólico (Atos 15:22). O texto o chama de profeta, alguém que exortava e fortalecia os irmãos com suas próprias palavras (Atos 15:32).
Quando Paulo e Barnabé se separaram por causa de um desentendimento sobre João Marcos, foi Silvano quem Paulo escolheu como novo companheiro para a segunda viagem missionária (Atos 15:40). A parceria seria testada bem mais rápido do que os dois esperavam.
Em Filipos, os dois foram espancados publicamente e presos sem julgamento justo. Por volta da meia-noite, algemados no calabouço mais interno, oravam e cantavam hinos a Deus enquanto os outros presos ouviam (Atos 16:25). Um terremoto abriu as portas e soltou as correntes, e o carcereiro se converteu naquela mesma noite.
De Filipos seguiram para Tessalônica e Bereia, e depois Corinto, onde Silvano e Timóteo se juntaram a Paulo vindos da Macedônia. Ali Paulo passou a se dedicar inteiramente à pregação (Atos 18:5).
O próprio Paulo lembraria depois que Silvano havia pregado com ele o evangelho aos coríntios (2 Coríntios 1:19), e o colocaria como remetente ao lado do seu nome na abertura de duas cartas aos tessalonicenses (1 Tessalonicenses 1:1; 2 Tessalonicenses 1:1).
Mais adiante, no Novo Testamento, o mesmo nome reaparece ao final de outra carta: o apóstolo Pedro escreve que, com a ajuda de Silvano, “a quem considero irmão fiel”, enviou sua carta (1 Pedro 5:12). Se for o mesmo homem, ele serviu dois dos maiores apóstolos da igreja primitiva sem nunca escrever uma linha em nome próprio.
Poucos vão lembrar do nome de Silvano numa lista de heróis da fé. Mas a igreja sempre precisou de gente assim: quem carrega a carta escrita por outro, canta hinos no meio da noite quando tudo desaba, e é chamado de fiel não por brilhar, mas por permanecer.
