Centurião · Testemunha da cruz

O centurião romano

Período~30 d.C.
Resumo
Oficial do exército romano encarregado de supervisionar a crucificação de Jesus, tornou-se a primeira pessoa registrada nos evangelhos a declarar publicamente, ao pé da cruz, que aquele homem morto era o Filho de Deus.
Quem foi O centurião romano
Biografia

Muita gente só reconhece a grandeza de alguém depois que ela se vai. Os elogios sinceros chegam tarde demais, quando já não fazem diferença para quem morreu. Foi assim com um oficial romano encarregado de supervisionar mais uma execução, num dia que parecia igual a tantos outros.

Ele era centurião, o comandante de cerca de cem soldados no exército romano, um homem acostumado a cumprir ordens sem questionar. Naquela sexta-feira, sua tarefa era garantir que três condenados morressem na cruz, entre eles um homem chamado Jesus, condenado por blasfêmia pelo tribunal religioso judeu (Mc 14:64) e crucificado sob a acusação romana de se dizer rei dos judeus (Mc 15:26).

Da posição em frente à cruz, ele acompanhou tudo de perto: os insultos da multidão, o silêncio digno do condenado, a escuridão que cobriu a terra ao meio-dia (Mc 15:33). Quando Jesus soltou um forte brado e expirou, o véu do templo se rasgou em duas partes, de alto a baixo (Mc 15:37,38).

Mateus acrescenta que houve um terremoto, o bastante para aterrorizar o centurião e os soldados que vigiavam com ele (Mt 27:54). Foi então que ele disse a frase que o eternizou: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!” (Mc 15:39). Lucas registra a mesma cena com outra ênfase: “Verdadeiramente este homem era justo” (Lc 23:47).

Um soldado pagão, treinado para tratar César como senhor supremo, declarou sobre um judeu crucificado exatamente o que os discípulos de Jesus ainda hesitavam em admitir em voz alta. Ele não tinha formação religiosa nem histórico com as Escrituras, só olhos abertos para o que acabara de presenciar.

Pouco depois, Pilatos o chamou de novo, agora para confirmar oficialmente que Jesus estava morto antes de liberar o corpo para sepultamento (Mc 15:44,45). O mesmo homem que comandou a crucificação também confirmou, com sua palavra, que ela havia se cumprido.

Essa confissão continua incômoda hoje. Muita gente cresce dentro da fé e demora a enxergar o óbvio, enquanto alguém de fora, sem nenhuma vantagem espiritual aparente, reconhece a verdade primeiro. A cruz continua expondo quem está disposto a ver o que está bem diante dos olhos.

Versículos marcantes

Quando o centurião que estava em frente de Jesus ouviu o seu brado e viu como ele morreu, disse: ―Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!

Marcos 15:39

Quando o centurião e os que com ele vigiavam Jesus viram o terremoto e tudo o que havia acontecido, ficaram aterrorizados e exclamaram: ―Verdadeiramente, este era o Filho de Deus!

Mateus 27:54

Quando o centurião viu o que havia acontecido, louvou a Deus, dizendo: ―Verdadeiramente este homem era justo.

Lucas 23:47

Visões, profecias e feitos

Comanda a execução de Jesus

Como centurião, supervisiona a crucificação de Jesus e dos dois criminosos executados ao seu lado no Gólgota.

Marcos 15:24-27

Testemunha os sinais no momento da morte

Vê a escuridão cobrir a terra ao meio-dia, ouve o forte brado de Jesus e sente o terremoto que sacode o local.

Mateus 27:45,51,54; Marcos 15:33,37

Confessa Jesus como Filho de Deus

Diante do que presenciou, declara em voz alta que aquele homem crucificado era o Filho de Deus.

Marcos 15:39

Reconhece a inocência de Jesus

No relato de Lucas, sua reação é registrada como reconhecimento de que Jesus era um homem justo, não um criminoso comum.

Lucas 23:47

Confirma a morte de Jesus a Pilatos

É chamado por Pilatos para confirmar oficialmente o óbito de Jesus antes que o corpo fosse liberado para sepultamento.

Marcos 15:44,45
Linha do tempo
~30 d.C.

Comanda a execução de Jesus no Gólgota

Supervisiona a crucificação como parte de suas funções militares (Mc 15:24-27).

~30 d.C.

Testemunha a escuridão e o terremoto

Vê os sinais que acompanham a morte de Jesus (Mt 27:45,51).

~30 d.C.

Confessa Jesus como Filho de Deus

Declara ao pé da cruz o que viu e concluiu (Mc 15:39).

~30 d.C.

Confirma a morte de Jesus a Pilatos

Atesta oficialmente o óbito antes da liberação do corpo (Mc 15:44,45).

Retrato

Observação atenta: percebeu detalhes que passaram despercebidos a muitos ao redor, a escuridão, o terremoto, o modo como Jesus morreu (Mc 15:39; Mt 27:54).

Coragem para falar em público: declarou sua conclusão em voz alta, mesmo sendo um soldado estrangeiro em território ocupado, sem vantagem alguma em tomar partido por um condenado judeu.

Honestidade diante da evidência: mudou de opinião sobre quem era Jesus com base no que viu, não por pressão social ou religiosa (Mc 15:39).

Cumprimento do dever: exerceu sua função militar com disciplina, inclusive numa tarefa desagradável como supervisionar uma execução e depois confirmar o óbito a Pilatos (Mc 15:44,45).

Comandou a execução de um homem que, minutos depois de morto, ele mesmo reconheceu como o Filho de Deus, um lembrete de que reconhecer a verdade tarde não desfaz o mal já cometido (Mc 15:24,39).

Lições e legado
Lições de vida

A verdade sobre Jesus não depende de quem a diz. Ela pode vir de um estranho, de um pagão, de alguém sem nenhum currículo religioso.

É possível estar perto da cruz, ver os fatos com os próprios olhos, e ainda assim demorar para responder com fé. A pergunta não é só o que vimos, mas o que fazemos com o que vimos.

Reconhecer Jesus como Filho de Deus costuma custar alguma coisa: reputação, posição, a imagem de quem se é diante dos outros.

Momentos de crise revelam quem as pessoas realmente são. Foi debaixo da cruz, não num templo, que esse soldado disse a verdade mais importante da sua vida.

Legado missionário

Sua confissão é o primeiro reconhecimento explícito e público de Jesus como Filho de Deus por um gentio nos evangelhos, uma antecipação do evangelho alcançando todas as nações.

Mostra que o evangelho nunca esteve reservado a um só povo: um soldado do império que crucificou Jesus foi quem primeiro declarou sua identidade divina depois da cruz.

Lembra à igreja de hoje que reconhecer a verdade sobre Jesus não exige currículo teológico, só olhos dispostos a ver e coragem para declarar em público o que se viu.

Sua história incentiva a levar o evangelho a militares, autoridades e pessoas de fora da fé, gente que, como ele, pode reconhecer Jesus quando alguém mostra a verdade sobre a cruz.

Família e contexto
Família e relações
Autoridade militar superior Pôncio Pilatos, prefeito da Judeia (Mc 15:44,45)
Sob seu comando Soldados que executaram Jesus (Mc 15:24-27)
Testemunhas ao seu lado Mulheres galileias, entre elas Maria Madalena (Mc 15:40,41)
Nações mencionadas

Israel

Judeia, onde ocorreu a crucificação (Mc 15:22)

Itália

Chamado de centurião romano (Mc 15:39; Mt 27:54)

Locais relacionados

Gólgota

Local da crucificação de Jesus, fora dos muros de Jerusalém, Israel atual (Mc 15:22)

Jerusalém

Cidade sob administração romana onde ele estava baseado durante a Páscoa, Israel atual (Mc 15:22)

Judeia

Província romana onde servia como oficial militar, hoje parte de Israel e da Palestina (Mc 15:1)

Roma

Capital do império a que servia como soldado, atual Itália

Onde encontrar na Bíblia
Onde encontrar na Bíblia

A cena está registrada nos três evangelhos sinóticos: Marcos 15:39, Mateus 27:54 e Lucas 23:47, cada um destacando um aspecto da reação do centurião diante da morte de Jesus. Ele também aparece em Marcos 15:44,45, quando confirma o óbito de Jesus a Pilatos.

Outras pessoas